Reserva de emergência: onde e como montar a sua

Ter uma reserva financeira pode ser a salvação na hora do aperto. Saiba como se prevenir para emergências criando a sua reserva no lugar certo!

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 8/11/2020 às 17h00

Reserva de emergência: onde e como montar a sua

Em tempos de crise, torna-se ainda mais importante ter uma reserva de emergência, afinal, quando os cenários são incertos, a situação financeira pode mudar da noite para o dia. Por isso, ter algum dinheiro guardado oferece uma maior segurança caso imprevistos aconteçam — e acredite, eles vão acontecer.

De acordo com dados da Anbima, 62% dos brasileiros não economizou nada em 2019 e começou o ano de 2020 sem reserva de emergência. Você é um deles? Se a resposta for sim, continue lendo este texto para saber como começar a montar sua reserva. Se não, leia mesmo assim: pode ser que a sua reserva esteja no lugar errado.

Neste artigo, vamos falar sobre:

  • por que fazer uma reserva de emergência?
  • o que é uma reserva de emergência?
  • quanto uma reserva de emergência deve ter?
  • quanto posso gastar da reserva de emergência?
  • onde aplicar o dinheiro da reserva de emergência?

Por que fazer uma reserva de emergência?

No Brasil, o hábito de poupar dinheiro ainda não faz parte da rotina da maioria das pessoas. Uma pesquisa da Kantar apontou que metade das famílias gasta mais do que ganha, enquanto o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) identificou que, se recebesse uma quantia inesperada, a maior parte dos entrevistados escolheria gastar o valor ao invés de economizar.

Isso mostra que a organização financeira ainda é uma dificuldade dos brasileiros, o que atrapalha a criação de uma reserva de emergência. Por esta razão, o primeiro passo para ter uma reserva segura é aprender a economizar.

O que é a reserva de emergência?

O fundo de reserva é uma forma de garantir que despesas não planejadas sejam cobertas, sem que seja necessário recorrer a empréstimos, cheque especial ou outros tipos de crédito. Financeiramente, a reserva traz menos dor de cabeça que as outras opções, já que até mesmo uma fatura de cartão de crédito não paga pode esconder juros altíssimos e ter o seu valor multiplicado em questão de meses.

Assim, ter uma quantia reservada para situações inesperadas é muito melhor do que contar com a sorte de conseguir crédito em uma instituição financeira, por exemplo, além de ser mais prático e rápido, o que conta muito em qualquer emergência.

Se você ficar desempregado, perder sua fonte de renda ou tiver um gasto imprevisto — reparos na casa ou no carro, despesas com saúde que o plano não cobre, morte de um ente querido etc. — o dinheiro será um problema a menos. 

Este é o tipo de investimento que deve ser feito antes de qualquer outro, pois a prioridade é assegurar que o seu padrão de vida se mantenha em circunstâncias desfavoráveis. Pensar em dividendos e investimentos de maior risco é secundário quando não há uma reserva de emergência ou quando ela ainda não atingiu a robustez necessária.

Quanto uma reserva de emergência deve ter?

Alguns economistas sugerem que a reserva corresponda, no mínimo, a 3 meses do custo de vida do indivíduo, mas outros especialistas acreditam que a quantia ideal seria de 6 a 12 meses. Em outras palavras, se você ganha R$ 6.000,00 e tem uma despesa de R$ 3.200,00 por mês, um valor confortável para a sua reserva de emergência é de R$ 19.200,00 (6 meses do seu custo de vida).

Caso você ainda não tenha a quantia ideal do fundo de reserva disponível, é recomendável separar uma porcentagem dos seus ganhos mensais para este fim. Seguindo os valores do caso acima, poupar 20% de um salário de R$ 6.000,00 significa destinar R$ 1.200,00 todo mês à reserva de emergência. O tempo estimado para alcançar o total de R$ 19.200,00 é de 16 meses. 

Pode parecer um período longo, mas lembre-se de que a maioria das pessoas constrói sua reserva pouco a pouco. É melhor começar com pagamentos recorrentes para abastecer seu fundo do que esperar ter todo o valor, como explicaremos mais adiante. 

Uma vez que sua reserva de emergência já tiver o equivalente a 6 meses do seu custo de vida —  ou mais, dependendo do quão seguro você quiser se sentir — , você pode optar por redirecionar os recursos para outros tipos de investimento em renda fixa ou até mesmo em renda variável. O blog da Akeloo está repleto de dicas para diversificar seus investimentos com segurança, então fique de olho nos artigos e aprenda a fazer aportes financeiros inteligentes.

Quanto posso gastar do fundo?

Vamos recapitular o que aprendemos sobre a reserva de emergência até então: é extremamente importante ter um fundo que garanta a sua saúde financeira em momentos de crise ou de despesas não planejadas

Essas situações podem desequilibrar o seu caixa caso você não tenha uma reserva que cubra a quantia necessária, o que pode fazer com que você recorra ao crédito de instituições financeiras e caia na cobrança de juros maiores do que o seu bolso pode suportar. 

Sendo assim, o ideal é poupar um pouco a cada mês, até atingir um valor que equivalha de 6 a 12 meses do seu custo de vida mensal. Ou seja, não é preciso ter toda a quantia da reserva de uma vez, desde que você se comprometa a abastecer o fundo com um valor confortável para cobrir as emergências (na situação hipotética que citamos, este valor seria de R$ 19.200,00).

Outro ponto é que nem sempre será necessário utilizar todo o dinheiro do fundo quando um imprevisto acontecer. Se o seu carro quebrar e o conserto custar R$ 8.000,00, a despesa é maior do que o salário de R$ 6.000,00 do nosso exemplo (sem contar o custo de vida fixo de R$ 3.200,00). Neste caso, os R$ 8.000,00 do conserto poderiam sair da reserva de emergência, que ainda teria R$ 11.200,00 para ocasiões futuras. 

Portanto, você pode gastar até os R$ 19.200,00 disponíveis na sua reserva de emergência, mas há chances da sua despesa não planejada ser menor do que este valor. Nossa dica é que, uma vez resgatada a quantia necessária, o valor sacado seja restituído o quanto antes, para a manutenção do fundo. 

Onde e como fazer uma reserva de emergência?

Um dos fatores fundamentais a ser considerado na hora de montar um fundo de emergência é onde exatamente juntar o dinheiro. Manter a reserva como saldo no banco é, sem dúvidas, uma das piores escolhas, quase tão ruim quanto guardar o dinheiro no cofre debaixo do colchão, prática comum no século passado. 

O que torna o simples armazenamento do fundo — de maneira física ou digital — uma péssima ideia são duas questões principais: a primeira é a que o dinheiro reservado para emergências pode se confundir com o valor destinado para despesas do dia a dia

Quem usa a mesma conta bancária para realizar transações de rotina e guardar a reserva de emergência corre o risco de sacar o dinheiro do fundo sem necessidade, apenas por falta de orçamento para fazer uma compra ou por não distinguir os limites entre o que é saldo disponível e o que só deve ser usado diante de imprevistos. É melhor evitar a tentação de gastar a reserva toda vez que abrir o app do banco ou quando ver o cofre em casa.

O segundo ponto negativo de manter a reserva no banco é ainda mais sério: dinheiro parado no lugar errado não rende. É claro que o objetivo maior de criar este fundo é recorrer a ele no caso de algum imprevisto acontecer, contudo é impossível saber exatamente quando este dia incerto será  — pode ser daqui a dias, semanas ou anos. Então, por que não aproveitar a oportunidade para fazer a sua reserva de emergência crescer?

Transformando a reserva em um investimento

Todo investimento possui alguns pilares que devem ser analisados de acordo com os objetivos do investidor. Os três principais são: rentabilidade, risco e liquidez.

A rentabilidade pode ser o critério principal para quem quer investir na bolsa de valores, já que indivíduos com perfil moderado a agressivo tendem a buscar maior retorno sobre seus aportes, independentemente dos riscos envolvendo seus ativos. As ações são um exemplo de investimento mais arriscado, pois podem ter alta volatilidade em relação a outros tipos de aplicações, mas em troca costumam ter uma rentabilidade maior.

Já para a reserva de emergência, o aspecto principal não é a rentabilidade nem o risco, e sim a liquidez, ou seja, a capacidade de transformar o ativo em dinheiro. Se estamos falando de situações emergenciais em que a demanda por dinheiro é urgente, não faz sentido que a reserva só possa ser resgatada em uma data pré-estabelecida ou em um prazo muito longo. 

Uma boa reserva de emergência tem liquidez diária ou imediata. Isso significa que, após solicitar o saque do valor, o dinheiro estará em sua conta em até 1 dia útil. Então, fique atento às datas de vencimento das suas aplicações e tenha em vista que a sua reserva de emergência deve ter D+0 ou D+1, para que seja possível ter a quantia solicitada em mãos no mesmo dia ou no dia seguinte. 

Onde aplicar o dinheiro da reserva?

Como explicamos acima, a característica mais essencial da reserva de emergência enquanto aplicação financeira é que ela esteja em um lugar de fácil resgate quando for preciso. Diferentemente dos outros investimentos, em que o que importa mais é a rentabilidade, o fundo de reserva tem como objetivo funcionar como um colchão de liquidez, por isso devemos escolher bem onde aportar o dinheiro.

Imóveis e outros bens de consumo

Sabendo disso, fica evidente que investir a reserva de emergência em um imóvel, por exemplo, não é a forma mais prudente de se preparar para o futuro. Mesmo se o retorno sobre o valor investido for alto — no caso em que há a valorização da região onde o imóvel foi construído ou em que são feitas melhorias na propriedade —, transformar esse ativo em dinheiro é uma tarefa complicada. A venda de um imóvel pode demorar meses e até anos, o que não condiz com o caráter emergencial do fundo de reserva.

Poupança

A poupança também é um mau negócio quando o assunto é montar uma reserva de emergência e talvez você já imagine o porquê. Dificilmente investir na poupança será vantajoso, pois apesar de ter risco mínimo e liquidez diária, seu rendimento é atualizado apenas uma vez por mês. 

Isso quer dizer que, ao contrário de investimentos que rendem um pouco a cada dia, a poupança só rende no dia de seu aniversário, isto é, a cada 30 dias a partir da data do depósito inicial. No momento atual, com a Taxa Selic mais baixa da história, o rendimento da poupança é de 70% da Selic + TR (Taxa Referencial, que hoje está em 0%). 

Com a poupança rendendo menos que a inflação, o que acontece é que a rentabilidade se torna negativa, ou seja: na ponta do lápis, quem investe na poupança acaba perdendo dinheiro. Manter a sua reserva de emergência neste tipo de aplicação significa que você pode ter uma quantia menor na hora de resgatar do que o valor depositado inicialmente.

Tesouro Selic

A boa notícia é que existem alternativas de baixo risco e que rendem mais do que a poupança para montar a sua reserva de emergência. Uma delas é o Tesouro Selic, que, como o nome sugere, é um investimento em Tesouro Direto que rende 100% da Taxa Selic. Por ser um título público pós-fixado, ele está sujeito a menos variações do que outras aplicações, uma vez que, na prática, o Tesouro Selic é um empréstimo feito ao governo federal. 

Em relação ao Tesouro IPCA (atrelado à inflação) e ao Tesouro Pré-fixado (cuja rentabilidade é definida no momento da aplicação), o Tesouro Selic se destaca por ter liquidez D+1, sendo possível resgatar o dinheiro em até 1 dia útil. É o tipo de investimento ideal para a reserva de emergência, pois combina segurança e alta liquidez. 

CDB com liquidez diária

Ainda falando sobre investimentos de baixo risco para o fundo de reserva, o CBD que rende 100% do CDI também é uma escolha segura para guardar a reserva de emergência, especialmente quando possuem liquidez diária. Os títulos são emitidos por bancos e podem chegar a ultrapassar os 100% do CDI, dependendo do caso. 

Além disso, o investimento no CDB é resguardado pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito), entidade privada que assegura que o investidor seja ressarcido caso a instituição financeira emissora do título vá à falência. A garantia do FGC cobre até 1 milhão de reais por CPF, o que é uma vantagem quando comparamos o CDB com títulos públicos não protegidos pelo Fundo.

Fundos de renda fixa

Por último, vale mencionar os fundos de investimento, sobretudo aqueles de renda fixa, em que pelo menos 80% do patrimônio está alocado em ativos deste tipo. A natureza híbrida do fundo, combinando aplicações diversas, ajuda o investidor a alcançar uma rentabilidade maior do que a de outras opções em renda fixa sem correr os riscos da renda variável

Ainda assim, é preciso observar se há cobrança de taxas por parte da administradora do fundo, quem são os gestores responsáveis e qual é a alíquota do Imposto de Renda que incide sobre ele. Outra questão é que o FGC não cobre os fundos de renda fixa, embora títulos de renda fixa que estejam fora do fundo (CDB, LCI, LCA etc.) sejam resguardados. Manter a reserva de emergência em um fundo de renda fixa pode ser uma alternativa viável para investidores dispostos a arriscar um pouco mais em busca de rentabilidade.

Conclusão

Ter uma reserva de emergência é a melhor precaução para o futuro, pois imprevistos podem acontecer a qualquer momento e demandar uma quantia em dinheiro maior do que a que você tem em caixa. 

O fundo de reserva deve ser a prioridade diante de outros investimentos, pois a segurança financeira precisa estar em primeiro lugar. Deixe para comprar ações ou investir em fundos quando já tiver uma reserva feita para casos de emergência. O ideal é ter de 6 a 12 meses do seu custo de vida armazenados, tendo em mente que é pouco provável que seja necessário resgatar toda a quantia do fundo de uma vez.

Ao invés de deixar o dinheiro parado no banco ou na poupança, procure outros destinos para a reserva de emergência, como o Tesouro Selic e investimentos em renda fixa. Com baixo risco e alta liquidez, essas aplicações não trazem tanta rentabilidade, mas mantém a reserva de emergência segura e disponível para resgate rápido.

Gostou das nossas dicas sobre reserva de emergência? Então agora é com você! Dedique um tempo para estudar e escolher a melhor aplicação para sua reserva, segundo o seu perfil de investidor e suas necessidades. Não se esqueça de que o blog da Akeloo é um grande aliado na hora de planejar seus investimentos. Até o próximo artigo!