O livro trata do conjunto de princípios ao qual o autor atribui a razão de seu sucesso e do processo de aprendizado dos mesmos, que se dá pela observação dos padrões de tudo que nos afeta e pela compreensão de suas relações de causa e efeito subjacentes.

Considera um princípio uma verdade fundamental, a base para um comportamento que proverá aquilo que se deseja para a vida. Segui-los é uma forma eficiente de lidar com a realidade. Seu estabelecimento deve ser individual pois corresponde a dois aspectos particulares de cada pessoa: natureza e objetivos. Seu aprendizado é um ciclo contínuo de feedback em tempo real – tomando decisões, vendo suas consequências e melhorando nossa compreensão da realidade.

Em sua trajetória experimentou fracassos dolorosos, mas não o suficiente para tirá-lo do jogo. Sua dinâmica de aprendizado pode ser descrita em:

METAS AUDACIOSAS => FRACASSO => APRENDIZADO DE PRINCÍPIOS => EVOLUÇÃO => METAS MAIS AUDACIOSAS

Desenvolveu um método para tomada de decisões baseadas em ponderar a credibilidade das diferentes opiniões sobre o assunto, agir de acordo com princípios e sistematizar o processo através de critérios expressos em forma de algoritmos.

Breve biografia

Nascido em 1941 em uma família de classe média americana, demonstrou cedo ser um pensador independente e inclinado a assumir riscos, comprando suas primeiras ações aos 11 anos de idade.

Formado em administração, fundou a Bridgewater em 1975 tendo como sede seu apartamento de 2 quartos. Nesta época, já entendia que sem agressividade não se faz dinheiro no mercado e sem cautela não se consegue mantê-lo.

No início da década de 80, quando já tinha um grande reconhecimento da mídia pelo seu trabalho, experimentou seu maior fracasso profissional. Apostou contra a política econômica adotada pelo FED, na tentativa de recuperar a economia americana atingida pelo calote da dívida mexicana, e estava errado. Este evento, além de extremamente humilhante, levou todos os ganhos financeiros obtidos até então pela Bridgewater. Desta experiência marcante, Ray Dalio descobriu que só poderia ter êxito como gestor seguindo as seguintes diretrizes:

  • procurar pessoas mais inteligentes e cujas opiniões fossem discordantes das dele
  • saber o momento de não ter uma opinião
  • desenvolver, testar e sistematizar princípios atemporais e universais
  • equilibrar riscos para não anular boas oportunidades ao mesmo tempo em que reduz o potencial de perda

A partir daí, o reerguimento da empresa é relativamente rápido. Sua abordagem em constante desenvolvimento para lidar com o mercado, o coloca novamente como referência no seu segmento de atividade e na mídia. Em 1995, apenas 12 anos depois de a empresa recomeçar, a partir da estaca zero, a Bridgewater já contava com 42 funcionários e 4,1 bilhões de dólares sob gestão. Em 2015, já era a maior gestora de investimentos do mundo.

Princípios de vida

Nossa qualidade de vida depende de sabermos quais são nossas melhores decisões e termos coragem de tomá-las.

PRINCÍPIO 1: Aceite a realidade e lide com ela

Não existe nada mais importante do que entender como a realidade funciona e aprender a lidar com ela.

Para isto, é preciso ser radicalmente transparente, ter a mente aberta e desprezar o idealismo impraticável.

PRINCÍPIO 2: Use o Processo de Cinco Etapas

  1. Defina objetivos claros

Na definição dos objetivos devemos estabelecer prioridades e não confundir objetivo com desejo. Não devemos julgar um objetivo inatingível até porque grandes expectativas geram grandes habilidades.

  1. Identifique e não tolere os problemas que fiquem no caminho

É preciso ver os problemas mais difíceis como oportunidades clamando por você. Confrontar os problemas por mais difíceis que sejam encará-los e nunca tolerá-los.

  1. Diagnostique com precisão os problemas para atingir as causas raízes

Deve-se evitar a tendência de ir direto da identificação de um problema para sua solução. O pensamento estratégico exige tempo de planejamento e reflexão. É preciso diferenciar as causas imediatas (“perdi o trem porque não olhei o painel de horário”) das causas raízes (“não olhei o painel porque sou distraído”) para resolver de fato qualquer problema.

  1. Projete planos para superar os problemas

Existem vários caminhos para atingir objetivos e apenas precisamos descobrir um que funcione. Importante elaborar e refinar bem o plano antes de querer executá-lo.

  1. Faça o que for necessário para que esses projetos alcancem os resultados

Para executar o plano elaborado é preciso autodisciplina e precisão na determinação das prioridades. Estabelecer métricas claras para ter certeza de que o plano está sendo seguido também é fundamental.

PRINCÍPIO 3: Tenha a mente radicalmente aberta

Talvez o princípio mais importante do livro, visto que lida com as barreiras mentais que todas as pessoas se deparam e que impedem a boa tomada de decisões: o ego e o ponto cego.

A barreira do ego diz respeito aos mecanismos de defesa subliminares que dificultam a aceitação de nossos erros e nossas fraquezas. Nossa necessidade de ser importante e amado, assim como o medo da solidão e da morte, residem em partes primitivas do cérebro, o que  dificulta nosso entendimento de sua dinâmica.

Já a barreira do ponto cego remete ao nosso modo de pensar que impede de vermos as coisas de maneira objetiva. Presumir demais e sempre querer expressar nossa opinião é sinal de mente fechada. Gera perda de boas oportunidades ao estarmos convictamente errados. Também, nos afasta do benefício do pensamento alheio.

Para não funcionar sob influência destas duas barreiras precisamos ter a mente aberta ao extremo. Não nos preocuparmos com a imagem e sim com os objetivos. Priorizarmos receber (aprender) ao invés de dar (transmitir nosso pensamento). Buscar empatia com os outros para poder enxergar com seus olhos. Termos mais consciência do que não sabemos do que daquilo que sabemos. Deixar claro que não se está discutindo e apenas tentando entender, no que pode ser chamado de desacordo respeitoso.

PRINCÍPIO 4: Compreenda que os circuitos das pessoas são bem diferentes

Como experimentamos a realidade de maneiras diferentes e, sempre em alguma medida, de forma distorcida, precisamos reconhecer e saber lidar com isso.

Nascemos com atributos que podem nos ajudar ou atrapalhar dependendo de sua aplicação e a compreensão de como nosso cérebro funciona é crucial para nos posicionarmos adequadamente diante das nossas circunstâncias e relacionamentos. Há uma vasta literatura sobre neurociência e psicologia que nos ajuda a entender as batalhas do cérebro a fim de termos controle sobre elas.

Nossa luta mais constante é entre sentimento e pensamento e ambos precisam ser conciliados.

A escolha de hábitos é algo extremamente poderoso. Se fizermos algo com frequência e por tempo suficiente, criaremos um hábito que nos controlará. Daí a necessidade de escolhermos os bons hábitos.

PRINCÍPIO 5: Aprenda a tomar decisões de maneira eficiente

A maior parte dos processos envolvidos na tomada de decisão diária é inconsciente e complexa. Porém, há algumas regras universais para um bom processo decisório:

  • Reconhecer que a maior ameaça ao bom processo decisório são as emoções negativas e que é preciso aprender para depois decidir
  • Utilizar a razão e bom senso para sintetizar a situação de momento, sabendo priorizar as questões, e sintetizar as situações ao longo do tempo observando as mudanças e as relações entre elas
  • Tomar as decisões avaliando a provável recompensa por estar certo e a provável penalidade por estar errado
  • Simplificar ao máximo
  • Usar princípios pois, além de ser uma forma de simplificar, possibilita o aprimoramento do processo decisório
  • Usar credibilidade ponderada no processo decisório através de triangulações com pessoas confiáveis e dispostas a ter desacordos respeitosos.
  • Converter os princípios em algoritmos e utilizar o computador paralelamente

PENSAMENTO + PRINCÍPIOS + ALGORITMOS => DECISÕES EXCELENTES

Princípio do trabalho

A força de um grupo é bem maior do que a força de um indivíduo e, por isto, os Princípios de Trabalho são ainda mais importantes que os Princípios de Vida. 

Mas, para que qualquer grupo funcione bem, os Princípios de Vida de seus membros precisam estar alinhados com os Princípios de Trabalho da organização.

Toda organização pode ser vista como uma máquina composta de duas partes: cultura e pessoas. Pessoas excelentes têm caráter e capacidades excelentes. Culturas excelentes trazem à tona problemas e desacordos resolvendo-os de modo eficiente. Também têm por hábito coisas grandiosas e inéditas. A excelência exige que não se façam concessões onde elas não são possíveis.

Normalmente as organizações tomam decisões por autocracia ou democracia mas, o melhor sistema para tomar decisões eficientes em uma organização é a meritocracia de ideias ponderadas pela credibilidade. Cada indivíduo pode ser “pontuado” pela sua experiência e resultados passados e pela sua capacidade de explicar de forma lógica as relações de causa e efeito por trás de suas conclusões, o que envolve sinceridade e transparência radicais dos envolvidos.

Para acertar na cultura…

Para acertar na cultura é preciso confiar na sinceridade e transparência radicais, ser íntegro e exigir integridade dos outros e criar um ambiente em que todos tenham o direito de entender o que faz sentido e ninguém tenha o direito de manter uma opinião crítica sem se manifestar. 

É preciso cultivar o trabalho e as relações relevantes sendo leal à missão comum. Ter uma cultura que aceita que se cometa erros mas que não aceita que não se aprenda com eles. Conflitos são essenciais para haver grandes relações e é preciso saber entrar em sincronia e discordar bem.

Para acertar nas pessoas…

Mais importante que a cultura são as pessoas pois são elas que podem mudar tudo para melhor ou para pior.

QUEM é mais importante do que O QUÊ. É muito comum cometer o erro de focar no que deveria ser feito em vez de na designação adequada das tarefas. Quando se sabe as características necessárias para a execução de um trabalho e sabe-se como é a pessoa designada para ele, é possível visualizar bem como as coisas vão sair.

A decisão mais importante de todas é  a escolha dos indivíduos responsáveis. Saber combinar o indivíduo com o projeto levando em conta os valores (crenças profundamente enraizadas que motivam comportamentos), as capacidades e habilidades, nesta ordem.

Entender bem a equipe e aquilo que a empolga é essencial para atribuir responsabilidades.

Ninguém tem tudo para produzir sucesso mas todos precisam ser excelentes.

É preciso treinar, testar, avaliar e filtrar as pessoas constantemente. Quando se acerta na evolução pessoal, o retorno é exponencial. À medida que as pessoas melhoram, se tornam pensadores mais independentes e capazes de ajudar a refinar a máquina.

Para ajudar no crescimento do pessoal é preciso fornecer feedback constante e ser mais preciso do que gentil na hora de avaliar. 

Para evoluir a máquina…

A evolução da máquina passa pela aplicação do processo de Cinco Etapas do Princípio de Vida 2.

Não importa o trabalho sendo feito, sempre estamos definindo objetivos e construindo máquinas para atingi-los. Grandes gerentes são como engenheiros capazes de enxergar a empresa como uma máquina e trabalham para mantê-la e aperfeiçoá-la.

É preciso análise com distanciamento e sempre comparar os resultados com os objetivos, o que envolve o estabelecimento de boas métricas.

Ao identificar problemas é fundamental não tolerá-los por mais difícil que seja. A maioria das pessoas prefere celebrar o que vai bem e varrer o que vai mal para debaixo do tapete.  Isto também pode acontecer por se dar mais atenção à realização de tarefas do que ao objetivo a ser atingido. A organização deve ser criada em torno de objetivos não de tarefas.

Tendo identificado o problema, é imprescindível um diagnóstico preciso para chegar às causas raízes – as pessoas ou projetos específicos que os provocaram. É um erro comum lidar com os problemas como incidentes isolados mas, ao fazê-lo abre-se mão de dividendos futuros de um diagnóstico do problema raiz.

Para diagnosticar bem, sempre buscando produzir resultados, deve-se perguntar:

  1. O resultado é bom ou ruim?
  2. Quem é responsável pelo resultado?
  3. Se o resultado é ruim, o indivíduo responsável é incapaz e/ou o projeto é ruim?

Após o diagnóstico do problema é preciso projetar diretrizes para resolvê-los. Se os princípios a serem aplicados não são sistematizados na maneira como serão implementados, não servem para muita coisa.

A partir daí, chega-se à última etapa do Processo de Cinco Etapas. É  preciso fazer o que foi proposto. No papel de liderança, deve-se recrutar as pessoas que estejam dispostas a fazer o trabalho que o sucesso exige.

Para a execução do trabalho, só palavras não bastam. É preciso utilizar ferramentas e protocolos.

Por fim, sendo a governança o sistema de supervisão que retira indivíduos  e processos que não estão funcionando bem, nunca podemos negligenciá-la. Todo o conteúdo transmitido será inútil sem uma boa governança.

Montando seus próprios princípios

Cabe a cada indivíduo decidir o que quer obter da vida e o que quer dar. A busca individual pelo desenvolvimento e criação dos próprios princípios é mais importante do que assimilar todos os preciosos conhecimentos compartilhados no livro. Por termos natureza e objetivos distintos, jamais poderemos adotar cegamente princípios de terceiros. Esta foi a maneira de Ray Dalio alcançar seu extraordinário sucesso e é seu principal conselho.