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O AUTOR: Diego Barreto é vice-presidente de Finanças e Estratégia do iFood. Atua na Endeavor e na 500 Startups em diferentes países. É também conselheiro de empresas da Velha e da Nova Economia. Formado em Direito na PUC/SP, possui um MBA pelo IMD Business School, na Suíça.

Introdução 

A Nova Economia emergiu na década de 1980, fruto da combinação de evolução tecnológica e revolução comportamental. Foi o início do enfraquecimento de valores e práticas arcaicas até chegarmos aos dias de hoje, de imersão no big data –  cenário em que muitas decisões empresariais são realizadas por algoritmos.

E, ao contrário da ideia propagada de que a evolução científica poderia suprimir a mão de obra, o que se observa é um aumento do PIB global, desde a revolução industrial. Na verdade, criou-se uma jornada positiva para a sociedade, rumo a um futuro de crescimento e maior geração de valor, impulsionados pela tecnologia e pela produtividade.

Foi o início do fim da economia estática, dependente de recursos naturais, dando lugar à Nova economia: empresas com modelos de negócios digitais onde múltiplas inovações tecnológicas convergem e são potencializadas pela conectividade. Uma nova era de menor dependência ao Estado e maior valorização da transparência e de uma boa ideia.

Mudança de poder

Com a massificação da tecnologia, da ultraconectividade e do domínio do cruzamento de dados, tornou-se possível ajustar o modelo de negócio em torno da escalabilidade de um produto minimamente viável. Essa nova realidade trouxe uma mudança de poder e influência que tem trazido transformação cultural, econômica, social e política. Hoje há muito mais inclusão e consciência do valor do talento na sociedade.

No Brasil, organizações com esse perfil, que buscam escalabilidade a partir de tecnologias proprietárias, têm começado a despontar. XP, Nubank, iFood, entre outras, têm trazido uma esperada reação contrária à velha Economia, sempre abrigada na política governamental.

Mas uma coisa é certa: o antigo protecionismo não pode mais impedir o avanço da tecnologia proprietária e o desafio será entender como usar essa tecnologia e aprender a cooperar.

Bloco 1 – Novo Brasil: o poder da ideia, da tecnologia, da agilidade e da escala.

Capítulo 1 – Globalização e economia em rede

Vivemos a era da globalização, da integração das economias em todo o mundo, com uma consequente expansão das fronteiras nacionais das forças de mercado. E isso é fruto, principalmente, da necessidade do desenvolvimento tecnológico que persegue uma produção racional de bens e serviços para consumo de massa.

No mundo digital, a globalização é ainda mais predominante, com um fluxo crescente de dados e informações. O gerenciamento de pessoas, empresas e governos passou a ser realizado por plataformas digitais. 

E isso foi possível porque a tríade internet, cloud e APIs viabilizou o surgimento de negócios exponenciais em capacidade, velocidade, conectividade e custos. A internet uniu o mundo através de um protocolo comum. A nuvem (cloud) possibilitou a organização e escala de infraestrutura de TI, trazendo flexibilidade e redução de custos às empresas. As APIs (Application Programming Interface) possibilitaram a ultraconectividade e maior capacidade de armazenamento de dados.

Todo esse contexto possibilitou o surgimento da Nova Economia, onde uma boa ideia e um investidor são suficientes para iniciar um negócio grandioso.

Capítulo 2 – Fim dos poderes tradicionais

Para entender a história do empreendedorismo brasileiro é preciso conhecer a cultura do apadrinhamento originada já no Tratado de Tordesilhas, onde foram delegadas a administração e exploração das capitanias hereditárias a membros da nobreza portuguesa. Uma máquina de favoritismo foi criada desde a origem do empreendedorismo nacional.

Com o passar do tempo, formou-se uma estrutura de monopólios, clientelismo e nepotismo, criando uma cultura em que o uso da coisa pública ganhou ares de legitimidade. O resultado foi que a nossa Velha Economia era ainda mais arcaica que a de outras nações, atravancando a modernização e bem-estar da população.

Uma das consequências desse protecionismo aos oligopólios nacionais foi a perda de competitividade no cenário internacional. Funcionamos sob um estamento burocrático obcecado pela política da substituição das importações, levando o setor de tecnologia à lona e fazendo prosperar o submundo do contrabando.

Já em 1952, com a criação do BNDE (mais tarde BNDES), os setores produtivos acabaram se tornando fortemente dependentes do banco que, por sua vez, era dependente do Tesouro Nacional. Era a Velha Economia e a cultura dos “amigos do rei” repaginada. Surgiaram os “campeões nacionais” concentrando poder e alimentando a máquina da Velha Economia num looping infinito de privilégios, ineficiência, desigualdade social, falta de competitividade e democracia imperfeita.

Capítulo 3 – Ascensão de novos poderes

A internet, somada ao cloud e às APIs, criou uma nova ordem onde as redes sociais deram amplitude à voz das pessoas. O oligopólio dos meios de comunicação de massa foi destruído e qualquer pessoa com um bom conteúdo passou a poder fazer sua mensagem circular na rede.

No Brasil, os valores surgidos da integração global e das redes desafiam a tradição de favoritismo político e se colocam, ao mesmo tempo, como a potencial solução de seus vícios. Empresas passaram a depender mais de boas ideias do que do Estado.

E o novo empreendedor sabe que não se trata apenas de tecnologia, mas, diante da revolução cultural e comportamental, é preciso investir também em pessoas e modelos de gestão. Deixar os colaboradores gerenciarem os riscos e tomarem decisões de forma descentralizada, valorizando assim a transparência e meritocracia de ideias.

Capítulo 4 – Antifrágil: meritocracia de ideias e transparência

Diante da constante e intensa mudança que vivemos nos dias atuais, a capacidade de leitura de cenários e velocidade de adaptação se tornaram atributos imprescindíveis para a sobrevivência empresarial. Gigantes como Kodak, Blackberry, Blockbuster e outras, ruíram por falta dessa compreensão.

Adentramos no cenário da antifragilidade, onde a volatilidade, a desordem e a incerteza dos novos tempos precisam ser aproveitadas, através da adaptabilidade, para fortalecer pessoas e organizações. Quanto mais erros, maiores os choques e, consequentemente, o conhecimento acumulado. 

Correr riscos e falhar é inevitável mas, a forma como se expõe faz toda a diferença. Hoje não há tempo para falsos elogios e espaço para produtos que não atendem às necessidades dos clientes. As pessoas nas organizações devem discordar profunda e diretamente, tendo como base os pilares da transparência e da meritocracia de ideias.

Mundo pós-meritocrático

O sistema de meritocracia que vem se desenvolvendo há décadas, baseado em um sistema de notas, apesar de ser um avanço em relação às restritivas estruturas sociais do passado, carrega uma boa medida de falácia. Isso porque muitos dos bons resultados de um indivíduo são fruto de algum tipo de privilégio quanto à sua condição social. 

E é aí que surge o sistema de meritocracia de ideias: a avaliação do desempenho de alguém pela aptidão em construir soluções de maneira colaborativa com outros. Tal sistema possibilita a melhor solução possível a partir do raciocínio de todos, criando uma cultura que promove a colaboração, a transparência radical e a liberdade de falar e testar. O foco é mais na capacidade de aprender do indivíduo e seu potencial de evolução do que no seu currículo estrelado.

Infelizmente, no Brasil, a meritocracia de ideias é pouco difundida, principalmente, devido ao alto índice de desemprego. Com um constante medo da falta de oportunidades na população em geral, a administração empresarial tende a administrar pelo medo e controle. 

Liderando pela transparência

A transparência dá ao profissional a possibilidade de conhecer suas deficiências e superá-las. Em processos saudáveis, onde o colaborador percebe o feedback como estímulo sincero para seu crescimento, surgem novas oportunidades, responsabilidades e mais renda.

Nesse ambiente, as críticas respeitosas e elogios públicos são necessários para criar referências e apontar caminhos. Ao líder cabe impor o ritmo, alicerçar e reforçar diariamente a cultura, filtrando as pessoas aptas das inaptas a esses princípios.

Capítulo 5 – As empresas da Nova economia

Um grande desafio para empresas consolidadas aderirem à Nova Economia é a necessária mudança de mentalidade. Não é fácil abandonar o que vem dando certo por anos. Um exemplo clássico é o da kodak. A empresa preferiu apostar na continuidade de sua liderança na venda de filmes, a se engajar num novo mercado digital nascente.

Já um exemplo positivo é o da Magalu que, ao ter coragem de abandonar seu conceito de varejista para uma empresa de tecnologia, atingiu resultados extraordinários em muito menos tempo do que no modelo anterior. Com lojas físicas, foi preciso 43 anos para faturar 1 bilhão de reais. Após a guinada, levou 10 anos para conseguir mais 1 bilhão com e-commerce e mais 2 anos para conseguir mais 1 bilhão com o marketplace

Startups e unicórnios

Na Nova economia o foco não pode ser simplesmente fazer dinheiro. É preciso que a necessidade, a paixão e o inconformismo ditem o rumo, e que o produto ou serviço oferecido tenha potencial de escalar exponencialmente.

No processo, normalmente virão desafios e fracassos mas, com persistência e capacidade de aprender com os erros, as ideias originais são lapidadas e podem novamente ganhar forma em novos projetos de sucesso. 

Atualmente, não basta crescer junto com o mercado. É preciso entender sua dinâmica e adaptar-se.

Bloco 2 – Sinais de novos tempos

Capítulo 6 – A ascensão do empreendedor e o declínio do empresário tradicional

Com o advento da globalização e o nascimento da sociedade conectada, emergiu no Brasil uma nova geração de empresas não mais dependentes do Estado.

No cenário internacional, pegando os Estados Unidos como referência, a Velha Economia baseada em monopólios e oligopólios também sentiu o impacto. A estrutura de negócios conservadores, hereditários e obcecados por segurança teve que se render à administração através de dinamismo, flexibilidade, inovação e risco. 

Ficar estático deixou de ser possível. Um dos grandes exemplos é a Netflix que, primeiro migrou da entrega de DVDs para o streaming e depois parou de depender da produção de terceiros, conferindo uma identidade própria ao serviço.

Emergiu uma nova mentalidade de apostar em boas ideias, mesmo que correndo altos riscos. Talvez a figura que melhor representa essa geração seja Elon Musk. Depois de ganhar uma fortuna na venda do Paypal para o Ebay, reinvestiu todo o dinheiro na Tesla Motors e na SpaceX, esta última com propósito de realizar uma missão tripulada a Marte.

A prática da fusão e aquisição para gerar conglomerados foi perdendo espaço para os empreendimentos geradores de grandes ecossistemas. Tudo a um alto custo de mudança de mentalidade, de cultura e de comportamento.

Capítulo 7 – Um novo ecossistema

A história da criação do Buscapé é ótimo exemplo de como abrir mão de se encaixar num emprego estável em função de buscar um sonho. Com pouquíssimos recursos, mas uma ótima ideia, quatro estudantes de engenharia da USP deram início ao projeto em 1999 e, em apenas 10 anos, venderam a empresa por 342 milhões de dólares.

De lá para cá, muita coisa mudou no Brasil em relação ao apoio ao empreendedorismo. Em 2019, o volume de aportes em startups brasileiras aumentou 80% em relação a 2018. Em fevereiro de 2021 o Senado aprovou o marco legal das startups, ampliando os investimentos e a base de investidores.

Hoje, podemos dizer que, principalmente devido à queda estrutural da taxa de juros, da digitalização da economia brasileira e da grande abrangência do ecossistema, o país tem pré-requisitos para ser um gigante no mundo digital.

Queda estrutural da taxa de juros

Com a dificuldade de rentabilizar carteiras de investimentos a uma taxa Selic baixa, o apetite ao risco acaba se impondo. Com isso, grandes gestoras brasileiras têm tido a oportunidade de entender que a transformação digital é fator decisivo para o sucesso das empresas. 

O resultado é o aumento da demanda pelos papéis de empresas da Nova Economia, estimulando toda a cadeia de startups e levando à transformação das empresas da Velha Economia.

Digitalização da economia brasileira

Por paradoxal que pareça, a enorme desigualdade social, o excesso de burocracia e maus serviços, tornam o Brasil um campo fértil de oportunidades, especialmente com a utilização da tecnologia.

Um exemplo é o acesso ao sistema bancário através de bancos digitais, dispensando as tradicionais agências e todo seu aparato. Já no varejo, as startups chegaram para resolver gargalos logísticos, operacionais e de acesso a todo o país. Essa é uma nova realidade que tem trazido ganho em qualidade de vida e liberdade de escolha aos brasileiros.

Além disso, esse movimento tem impulsionado a procura dos jovens às áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, levando o país em direção a suprir uma carência histórica.

Mesmo a população de baixa escolaridade tem surfado nessa onda, através das oportunidades de trabalho. Segundo pesquisa do IBGE, de 2019, Uber, 99 e iFoods são juntas o maior empregador privado do país. 

Ecossistema mais abrangente

O ganho de vigor no ecossistema de startups é muito devido à injeção de capital de risco de investidores-anjo (pessoas físicas que destinam recursos próprios) ou de fundos de investimentos. 

É o capital semente, fonte de recursos para os momentos ainda embrionários da empresa. Normalmente, são valores pequenos e que servem apenas para cobrir a fase de ideação da empresa e do produto.

Outro participante de destaque no ecossistema é a incubadora. Seu objetivo é facilitar o desenvolvimento das startups, oferecendo ferramentas e infraestrutura básicas necessárias à operação, inclusive espaço físico e até capital semente. 

A partir do momento que as startups começam a faturar, as aceleradoras entram em cena oferecendo consultoria, treinamento e contatos para captação de recursos de fundos de venture capital que, em troca, ficam com uma participação acionária.

Toda essa dinâmica tem despertado o interesse do investidor de forma tão expressiva que, atualmente, o investimento de venture capital em startups tem superado o investimento em empresas consolidadas dos bilionários fundos de family office e de private equity. É o potencial de crescimento a taxas elevadas atraindo cada vez mais capital.

E por fim, vale mencionar ainda que, movidas por necessidades complementares, empresas tradicionais também têm buscado nas startups a inovação que precisam e, em troca, oferecem capital, estrutura e clientes. Uma Típica situação de benefício mútuo.

Capítulo 8 – Novos modelos de negócios

Se na Velha Economia, estabelecer um conceito único de modelo de negócio já não é algo simples, na Nova Economia, torna-se ainda mais difícil. Isso porque, devido à necessidade de dinamismo em um mundo ansioso, frágil, não linear e incompreensível, é fundamental levar em conta a estratégia estabelecida para se chegar ao resultado desejado. São muitas alternativas de decisões a serem tomadas num ambiente extremamente competitivo.

Barreiras de entrada x vantagem competitiva

Diferentemente da Velha Economia, a lógica da criação de barreiras de entrada para diminuir a competitividade não se aplica na Nova Economia. Isso porque o que se procura não é a possibilidade de oferecer serviços e produtos de má qualidade a um preço mais alto mas, utilizar a vantagem competitiva como um ativo desenvolvido de modo proprietário que convence o cliente do alto valor do que se está oferecendo.

Esse tipo de vantagem competitiva permite à empresa não ficar alterando sua estratégia e focar no desenvolvimento da próxima vantagem competitiva. A revolução digital do sistema bancário ilustra bem esse quadro.

Modelo de negócio digital

Modelos de negócios digitais só foram possíveis pela convergência de várias inovações tecnológicas, potencializadas pela conectividade. Nesse ambiente digital, o sucesso de uma plataforma deve-se fundamentalmente aos mecanismos de alinhamento dos interesses de seus participantes.

E é aqui que reside a transição da Velha para a Nova Economia: a partir da disrupção digital, ocorre a transformação do modelo de negócio. Nessa transição, as empresas são impelidas a mexer em sua organização e estratégia, tentando operar com mais eficiência e gerando valor ao consumidor.

O propósito de oferecer um ótimo produto ou serviço da Velha Economia foi substituído pelo de oferecer um serviço que integra um produto, ou mesmo a integração de dois serviços, criando o conceito de solução. Para ilustrar, se antes precisávamos do banco, hoje, precisamos da solução bancária, do banking.

O valor da inovação no negócio

Em geral, a geração de valor do modelo de negócio digital pode ser visto sob três ângulos.

O primeiro é o que gera uma percepção de redução de custo para o consumidor. A redução ou extinção das tarifas bancárias dos bancos digitais é um ótimo exemplo.

O segundo é a geração de perspectiva de experiência. São aqueles negócios que geram um grande engajamento com a plataforma. O Mercado Livre é uma referência neste caso ao atrair os pequenos operadores pela redução da fricção no modelo e-commerce.

Por fim, o valor da comunidade da plataforma. Quando o ecossistema é muito forte, a possibilidade de conexão é um valor em si, e é então gerado o efeito de comunidade.

Capítulo 9 – Ética e sustentabilidade

A ultra-conectividade afeta todos os aspectos de nossa vida, tornando a sociedade muito mais complexa e exposta aos seus possíveis efeitos colaterais: manipulação política, desinformação, intolerância, etc.

Nesse cenário, é muito importante para os protagonistas da Nova Economia a consciência da necessidade de que suas soluções tenham necessariamente um impacto positivo no desenvolvimento humano.

E isso é bem possível devido à tecnologia. Atualmente, as empresas têm a capacidade de implementar diretrizes sustentáveis com rapidez e assertividade. Imagine um e-commerce com uma ferramenta colocada num aplicativo para reduzir o consumo de plástico em embalagens. Imediatamente, o impacto é sofrido em milhares de comércios e indústrias.

Hoje, as empresas da Nova economia , pela própria natureza integrada, são capazes de reorientar a inovação para aumentar sua produtividade em relação aos recursos naturais. É o que ocorre na economia circular onde, através do exemplo do funcionamento da própria natureza, busca-se encontrar destinações futuras para os resíduos gerados, já em sua concepção.

Fato é que não existe sustentabilidade sem ética e, a possibilidade que se abre na Nova Economia, é de um mundo em que riqueza seja sinônimo de maior igualdade.

Capítulo 10 – Diversidade e inclusão

Preconceitos são constituídos de ações conscientes e inconscientes, que podem levar ao preconceito estrutural –  aquele que transcende o âmbito da ação individual e afeta todas as decisões da sociedade.

Mas felizmente, na Nova Economia, trabalhar com a diversidade tornou-se imprescindível. É preciso receber os benefícios do “pensar diferente” para atingir melhores resultados.

 E mesmo a publicidade, percebeu que para atingir um público diverso, é preciso ter uma equipe diversa.  As empresas passaram a buscar por uma leitura da conexão entre o que existe nas ruas e nas redes sociais. A tentar entender a heterogeneidade e suas demandas. No final, acabou por transportar tudo para o interior da companhia, combatendo o preconceito corporativo.

É verdade que naturalizar a inclusão não é simples, pois enfrenta séculos de cultura preconceituosa. Mas, cada vez mais, as empresas da Nova Economia têm visto a diversidade como grande vantagem competitiva, baseada em transparência e meritocracia de ideias.

Bloco 3 – A transição para a Nova Economia

Capítulo 11 – Empresas rivais da Velha Economia

Com o amadurecimento do ecossistema voltado ao empreendedorismo no Brasil, novas safras de empresas sustentadas pela tecnologia começam a remodelar todas as pontas da cadeia econômica nacional. A seguir, alguns exemplos de empresas tech que têm despontado no cenário nacional.

Buser

Plataforma de fretamento colaborativo que oferece viagens de ônibus, a partir de reservas feitas pelo aplicativo. O sistema une os interessados nas rotas com as empresas capacitadas a realizá-las, resultando em preços bem inferiores aos praticados pelas linhas regulares. 

MadeiraMadeira

Empresa que nasceu a partir da criação de um site para vender sua massa falida. Na sequência, montaram uma plataforma dropshiping que trouxe flexibilidade, variedade e produtos em escala.

Cargo X

Conecta empresas que utilizam transporte de carga com caminhoneiros autônomos. Além de atender à demanda, elimina a intermediação, trazendo ganhos em eficiência e redução de custo e, eventualmente, redução tributária.

Creditas

Plataforma digital de empréstimo pessoal que conseguiu ganhar velocidade e menor custo no setor, resultando em juros mais razoáveis e menos fricção ao cliente.

Neon

Banco digital criado pelo inconformismo de seu fundador quanto às cobranças abusivas dos bancos tradicionais. Através de processos que garantem baixos custos, possibilita a cobrança de taxas mais justas ao cliente.

PicPay

Empresa criada a partir da aproximação da Velha com a Nova Economia, tornou-se a maior carteira digital de pagamentos no Brasil. Permite transferir valores e fazer pagamentos em lojas virtuais e serviços on-line. 

Há ainda as empresas da Velha Economia que têm feito a transição para a Nova Economia com muita assertividade. A Via Varejo é um destes casos. Foi preciso desmontar uma antiga estratégia de sucesso para abraçar a ideia da inovação digital. Os resultados têm sido fantásticos, numa dinâmica constante de novidades e melhorias.

O fato é que a Nova Economia está em fase de grande  ascensão, com muitas empresas surgindo, baseadas na coragem de testar novas ideias e em busca de crescimento exponencial.

Capítulo 12 – O destino das empresas tradicionais sábias

A tecnologia mudou o perfil do consumidor de passivo para exigente. Agora, as corporações tradicionais são obrigadas a se adequarem a uma realidade em que o valor adicionado não se encontra na manufatura, mas nas etapas mais intensivas em conhecimento do processo produtivo.

Tornou-se necessário conhecer e antecipar as expectativas dos consumidores. O lucro passou a ser consequência de um mindset direcionado a um propósito e não mais um fim em si mesmo. Para mudar essa mentalidade é preciso muita coragem. Abandonar a verticalização excessiva,  focada na escassez e dominação de mercado, em prol de um ecossistema baseado em compartilhamento de conhecimento e abundância.

Na Nova Economia as empresas são organizadas por segmento de cliente, com foco nos indicadores de comportamento e no ciclo de vida do consumidor.

Em relação às finanças, sai de cena o sistema baseado na perpetuação do patrimônio das famílias, através de fusões e aquisições, e ganha relevância a ocorrência de M&A, com os empreendedores dividindo os riscos de execução. A jornada do cliente se sobrepõe aos resultados contábeis. Cientistas de dados e inteligência artificial tendem a substituir o bom e velho Excel.

Tecnologia proprietária é a chave

Se até pouco tempo atrás imperava a lógica de buscar tecnologia pronta, desenvolvida por terceiros, hoje o entendimento é que deve-se construir times desenvolvedores de tecnologia proprietária. 

Não há mais espaço para imposição de regras e exclusividade de mercados. As redes, muito em função do desenvolvimento das APIs, alimentam a concorrência saudável, através do alinhamento natural de interesses e de incentivos.

A performance passou a ser medida pela frequência da implantação de código, tempo de implementação, tempo para restaurar estabilidade e número de mudanças que resultam em problemas. O departamento de tecnologia, até então ligado como centro de custo ao departamento financeiro, passou a estar diretamente ligado ao CEO da empresa.

Hoje, o crescimento acontece de baixo para cima, com foco no mercado e não no acionista.

Tornando-se empresa da Nova economia: roteiro

  1. Cultura orientada à tecnologia
  2. Modelo de gestão ágil
  3. Infraestrutura de tecnologia moderna
  4. Mentalidade de ecossistema
  5. Orientação de dados
  6. Negócio integrado à tecnologia
  7. Tecnologia proprietária
  8. Modelo de negócio digital

Capítulo 13 – Plano de carreira não forma líderes antifrágeis

Na Nova Economia não há mais lugar para o emprego estável, com hierarquia de remuneração bem definida e pacote de benefícios rígido e não inclusivo. O mérito das ideias tem se imposto sobre esse formato, trazendo um novo modelo que busca o equilíbrio entre desafio e apoio ao profissional. Desafio sem apoio coloca a carreira em perigo e apoio sem desafio engana o profissional. Esse modelo acaba por posicionar líderes e liderados como parceiros em busca do mesmo objetivo.

Como montar o time

A coisa mais importante dentro de uma empresa é saber contratar uma equipe antifrágil. E a antifragilidade deve se basear na capacidade de aprendizado do indivíduo, não só com teoria e em planos de carreira desenhados meticulosamente, mas através de uma metodologia baseada em feedbacks radicalmente transparentes. Só assim é possível extrair o melhor de cada um.

Cultura de dono 

Um grande diferencial entre empresas da Velha e Nova Economia é a mentalidade de “dono do negócio”. Atualmente, pela crescente adoção do sistema de stock options, os colaboradores podem literalmente se tornar sócios da empresa. Tal mecanismo prevê a possibilidade de compra das ações da companhia pelo colaborador, pelo preço do momento em que o benefício é concedido. É uma forma inteligente e justa de propagar a cultura de dono entre os colaboradores e ainda aumentar as oportunidades de atrair talentos.

A força da pluralidade

Na Nova Economia a grande força da empresa está na habilidade de seus colaboradores. O segredo do alto desempenho é a capacidade de olhar e interpretar a realidade de maneiras diferentes.

Conclusão

Não há mais tempo nem razão para o Brasil ficar de fora dessa nova era, e os sinais de mudança são inequívocos, com mais e mais empresas apostando principalmente no poder das boas ideias.

A possibilidade de finalmente deixar de ser um país dependente de produtos primários e começar a ser um país de tecnologia está dada. A dependência do Estado com sua burocracia e distribuição de favores tem diminuído, trazendo mais inclusão, eficiência e liberdade.

Outro aspecto importante deste movimento é, segundo estudos internacionais, a enorme demanda por mão de obra qualificada digitalmente que está sendo gerada e ainda longe de ser absorvida.

Por parte do estado, cabe abraçar o movimento e colaborar para acelerá-lo. Fazer uma releitura dos conceitos e normas do direito tributário, considerando a nova realidade da ultraconectividade, escalabilidade dos negócios e menor presença de produtos físicos. Sem falar na necessidade de uma nova e sofisticada abordagem em relação às questões de domínio de mercado. Como acabar com possíveis monopólios como Amazon, Facebook e Google sem prejudicar os respectivos usuários?…

Talvez o salto de produtividade de 1995-2005 tenha sido apenas o primeiro estágio de uma onda de inovação tecnológica nas mais diversas áreas da sociedade, trazendo a disseminação da diversidade, ética e sustentabilidade como marcas da Nova Economia.

 Afinal, empresas devem ser molas propulsoras de uma sociedade melhor em dignidade, justiça e verdade.