Guia prático sobre a Análise Técnica de ações

Entenda de uma vez por todas como funciona a análise técnica e como você pode aplicá-la aos seus investimentos - ainda que você não seja um trader profissional!

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 12/11/2020 às 9h00

Guia prático sobre a Análise Técnica de ações

Ao estudar sobre as diversas estratégias utilizadas pelos investidores ao investir na Bolsa de Valores, com certeza você já se deparou com a análise técnica. Ela é um modelo de análise que leva em consideração as tendências do mercado a partir da utilização de gráficos, sendo  muito utilizada principalmente por traders e investidores de curto prazo para decidir quando comprar e quando vender ações. 

Entender como ela é feita permite que o investidor tenha mais segurança na hora de realizar as suas operações, o que potencializa as suas chances de obter uma boa margem de lucro. Para compreender melhor a análise técnica e como ela é feita, continue lendo este artigo. Nele você vai aprender:

  • o que é a análise técnica;
  • como ela funciona;
  • qual a diferença entre análise técnica e análise fundamentalista;
  • principais tipos de gráficos e como interpretá-los;
  • o que são tendências, fundos e topos no gráfico;
  • como reconhecer uma tendência;
  • o que são suportes e resistências

O que é e como funciona a análise técnica?

A análise técnica, também conhecida como análise gráfica, é um método de que se concentra no estudo dos preços e de seus volumes, procurando determinar  a tendência de um ativo por meio do rastreio do comportamento da oferta e da demanda, utilizando como base o comportamento passado dessa ação para traçar tendências  e direções futuras.

Aqueles que fazem uso dessa ferramenta acreditam que todas as informações necessárias para entender a tendência de um ativo está nos gráficos, pois a partir deles é possível avaliar os padrões de participação dos investidores que influenciam na formação dos preços. Alguns desses analistas, inclusive, tomam suas decisões sem consultar e acompanhar as notícias do mercado financeiro na crença de que possuem nos gráficos tudo aquilo que precisam para movimentar os seus ativos.

Formação de preço 

Dentro da análise técnica, prever a movimentação dos preços dos ativos é o que vai definir as intenções de compra ou de venda. Para isso, três principais conceitos são tidos como determinantes desse preço:

O preço do ativo é um consenso entre oferta e demanda

  Aqui, a ideia é que o preço é formado a partir do equilíbrio entre a oferta (quantidade de investidores interessados na compra) e a demanda (quantidade de ativos disponíveis para negociação). Ele seria então um reflexo das relações de compra e venda.

Dessa forma, como as negociações dentro da Bolsa já levam em consideração todo o contexto macroeconômico do mercado, os fatores externos já estão embutidos no preço a ser analisado pelos gráficos, não sendo necessário incluir esses parâmetros na sua tomada de decisão.

Existe uma tendência de movimentação dos preços

O mercado é marcado por tendências, sempre há períodos com tendência de alta, baixa ou lateral e os preços seguem cada uma delas. Por isso é necessário que o analista seja capaz de identificar cada uma delas no momento em que estão acontecendo. 

A influência psicológica é muito importante na definição dos preços

Assim como existem tendências do mercado, os investidores também se comportam seguindo tendências. Elas têm um padrão que deve ser sempre levado em consideração na hora de analisar um determinado ativo.

Análise técnica X análise fundamentalista

Para a maioria dos investidores, a análise técnica e a análise fundamentalista são consideradas tão diferentes a ponto de não se misturarem. De fato, enquanto a técnica faz uso da tendência dos gráficos para orientar a tomada de decisões, a fundamentalista analisa parâmetros de desempenho das empresas, como balanço patrimonial e fluxo de caixa, além de levar em consideração toda a conjuntura econômica.

Os traders, ou seja, aqueles que realizam operações de curtíssimo prazo, não fazem uso das ferramentas da análise fundamentalista, adotando um modelo de investimento que envolve analisar as tendências dos gráficos em poucos minutos, decidindo se devem ou não realizar a compra ou a venda dos ativos. 

Por um outro lado, o investidor que toma suas decisões a partir de fundamentos tem como objetivos consolidar uma carteira de ações com empresas sólidas, buscando gerar bons resultados a longo prazo.

Gráficos de ações

É através dos gráficos que se vê a movimentação dos preços ao longo do tempo, sendo os preços representados no eixo vertical do gráfico, enquanto o tempo é visto pelo eixo horizontal.

Existem vários tipos de gráficos, mas os principais são:

Gráficos de linhas

São os mais simples. Mostram a movimentação do preço em um dia, sendo a linha a união dos preços de fechamento de cada dia de negociação.

 

Gráficos de barras

Sendo mais completo que o gráfico de linhas, o gráfico de barras utiliza, além do preço de fechamento, o preço de abertura, preço mínimo e máximo do período utilizado.

Candlestick

Leva esse nome porque sua figura representativa se assemelha a uma vela. O gráfico candlestick também apresenta as quatro informações trazidas pelo gráfico de barras (preço de fechamento, o preço de abertura, preço mínimo e máximo). Apesar disso, sua conformação é mais visual e justamente por isso ele é o tipo de gráfico mais utilizado no mercado de renda variável. 

É a partir dos candles que é possível identificar as tendências de alta ou de baixa do mercado. Eles são divididos em dois: os candle de alta e os candle de baixa.

Candle de alta

Nesses casos, o preço de fechamento (último negócio que ocorreu naquele dia) superou o preço de abertura do mercado (primeiro negócio que ocorreu naquele dia). Ele é representado pela cor verde dentro do gráfico. 

Candle de baixa

Ao contrário do candle de alta, esse candle representa que o preço de fechamento foi menor do que o preço de abertura do mercado. Ele é representado pela cor vermelha.

Os candles possuem linhas localizadas acima e abaixo do retângulo. Dentro do mercado elas são chamadas de “sombras”. O topo da sombra superior representa o preço máximo alcançado naquele dia, enquanto o fundo da sombra inferior representa a mínima. Tanto no candle de alta como no de baixa.

Como identificar tendências, topos e fundos na análise técnica? 

Como já dissemos anteriormente, dentro da análise técnica existem três tendências que o mercado pode seguir: 

  • a tendência altista (bullish) – acontece quando há maior demanda (pressão de compra) e, consequentemente, o preço dos papéis sobe;
  • a tendência baixista (bearish) –  surge quando, sob maior oferta (pressão de venda), o preço dos papéis sofre queda; 
  • a tendência lateral – em alguns momentos pode haver um equilíbrio entre compradores e vendedores, de forma que não haja nem tendência de queda nem de subida dos preços. Nesse momento, pode-se dizer que o mercado está “sem tendência” ou “andando para a lateral”.

A movimentação do preço dentro do gráfico se de acordo com essas tendências se dá em forma de ziguezague ascendente ou descendente, formando os topos e os fundos. Isso permite identificar melhor qual é a tendência do ativo, uma vez que quando ocorre uma tendência de alta, formam-se topos e fundos para os preços cada vez em patamares mais altos. Por outro lado, quando há uma tendência de baixa, formam-se topos e fundos para os preços cada vez em patamares mais baixos.

Para ficar mais claro a forma de identificar uma tendência, basta seguir os passos abaixo:

  1. Reconheça os topos e fundos de um ativo;
  2. Trace uma reta tocando esses topos e esses fundos, verificando a sua inclinação. Essa reta é chamada de linha de tendência.

Suportes e resistências

Suportes e resistências são figuras gráficas que podem ser percebidas quando o preço não passa de um determinado patamar, seja ele máximo ou mínimo. Em suma, são indicativos de que a ação vai parar de cair ou de subir, indicando então o melhor momento para compra ou para venda. 

Suporte

O suporte é o patamar em que o preço tende a parar de cair. Ele acontece quando os preços chegam sempre a um valor mínimo, que varia pouco quando comparado a outros períodos de queda do ativo  no gráfico.  Assim,há a formação de fundos consecutivos.

Quando o preço chega no suporte,costumeiramente há uma  oportunidade de lucro, afinal, sua tendência é subir já que ele chegou ao menor valor em que os investidores estão dispostos a negociar. Nesse momento, a pressão de venda é tão grande que costuma ocorrer uma reversão, ou seja, o valor da ação começa a subir após um determinado tempo. 

Para se identificar um suporte é necessário traçar uma linha conectando os fundos. Quanto mais vezes o gráfico tocar a linha do suporte, mais forte ele é e, consequentemente, mais confiável também. 

Resistência

Ao contrário dos suportes, as resistências são patamares de preço onde as ações pararam de subir e voltaram a cair. Você pode identificar uma resistência ligando os topos. 

Da mesma forma que ocorre com o suporte, quando o preço vai se aproximando dessa limite observado, a demanda de compra vai perdendo força e a reversão acontece, aumentando as vendas antes da queda do ativo. 

A formação da resistência pode ser vista ao ligar todos os tomos com uma linha reta. Geralmente, quanto mais vezes o preço da ação subir a essa região e voltar a se desvalorizar, mais consistente será a resistência.

Por que considerar a linha de suporte e de resistência?

Como esses dois instrumentos mostram os limites superiores e inferiores do preço de um determinado ativo, geralmente eles são responsáveis por indicar onde haverão reversões.  Sendo assim, eles podem servir como barreiras psicológicas para o investidor, determinando onde irá ocorrer uma maior concentração de ordens de venda, no caso da resistência, ou de compra, no caso do suporte.

É importante entender também que, quando um suporte ou resistência é rompido, ou seja, quando há uma inconsistência no padrão do gráfico, é possível perceber dois movimentos principais:

  • a ausência de um número expressivo de ordens de venda, após a ruptura do  nível de resistência, e de ordens de compra, após a ruptura do nível de suporte;
  • a presença de um maior número de ordens de compra após ser rompido o nível de resistência ( fenômeno conhecido como stop dos vendidos) e de ordens de venda após a ruptura do nível de suporte  (chamado de stop dos comprados).

Assim, é possível perceber que, caso sejam ultrapassados, os níveis de suporte e resistência passam a exercer influência oposta à que geralmente exercem nos preços, ou seja, um suporte passa a influenciar um movimento de venda e uma resistência provoca um movimento de compra. 

Vale a pena fazer análise técnica?

A análise técnica pode ser uma excelente estratégia para orientar os seus investimentos, potencializando os lucros e minimizando as perdas. O conhecimento desses indicadores com certeza traz mais segurança para o investidor da Bolsa, facilitando a decisão da compra e da venda de ações. 

Dica Akeloo: apesar desse tipo de análise fornecer bons parâmetros para orientar suas tomadas de decisões, vale lembrar que o mercado de renda variável é altamente volátil, especialmente quando consideramos ações de curtíssimo e de curto prazo. Por isso, esteja sempre atento ao seu perfil de investidor e à sua tolerabilidade a riscos e potenciais perdas. Vale lembrar também que a análise técnica é uma ferramenta mais utilizada pelos day traders, que confiam nos gráficos para obter ganhos no curtíssimo no prazo, enquanto os holders vão ter uma maior preferência pela análise fundamentalista. 

Conclusão

A análise técnica apresenta inúmeras particularidades que exigem muito estudo para serem empregadas e o ideal é que o investidor que tenha vontade de realizar esse tipo de análise estude bastante sobre o tema Apesar disso, a análise técnica pode sim ser aprendida por todos aqueles que desejarem, afinal, ainda que pareça complicada, não é impossível. 

Não podemos nos esquecer que é apenas a prática aliada a um bom embasamento teórico que nos permite tomar as melhores escolhas sobre os nossos investimentos, potencializando as chances de sucesso das nossas operações. 

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