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Tether, DAI e a importância das stablecoins no mercado de criptomoedas

Hoje em dia, fala-se muito nas criptomoedas. Desde 2020, o […]

Por Rafael Marques

Publicado em: 1/09/2021 às 10h19

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Tether, DAI e a importância das stablecoins no mercado de criptomoedas

Hoje em dia, fala-se muito nas criptomoedas. Desde 2020, o mercado de criptos se aqueceu, chamando a atenção até dos investidores mais desconfiados. No entanto, a alta volatilidade dos ativos tem sido um fator que manteve muita gente afastada das operações com moedas digitais.

Para que esse problema fosse contornado, foram criadas as chamadas stablecoins — ou, em outras palavras, as moedas de valor estável, cuja volatilidade é bem baixa quando comparada a outros criptoativos.

Dessa maneira, os proprietários de criptomoedas têm a opção de trocar seus ativos, como o bitcoin, por outros cujo valor continuará sendo sempre o mesmo. Ficou interessado em saber mais sobre as stablecoins? Então continue lendo este artigo. Ao longo do texto, nós abordaremos os seguintes tópicos:

  • O que são stablecoins?
  • Quais são as principais stablecoins do mercado?
  • As quatro modalidades de stablecoins
  • Quais são os benefícios das stablecoins?
  • Vale a pena investir em stablecoins?

O que são stablecoins?

Como adiantamos, stablecoins dizem respeito a moedas estáveis. No mercado de criptoativos, isso significa que elas são um ativo digital cujo valor está atrelado a ativos mais concretos, como o ouro, o petróleo ou as moedas fiduciárias, mais comumente o dólar americano. Assim, elas sempre representarão o valor real desses ativos.

Para ilustrar a importância das stablecoins, vamos pegar como exemplo o bitcoin, a mais famosa das moedas digitais. Ele apresenta uma alta volatilidade devido à sua característica especulativa; ou seja, seu valor aumenta quando há muitas intenções de compras e diminui quando sofre desvalorização.

Já com as stablecoins esse problema não ocorre com a mesma intensidade. Além de ser mais fácil acompanhar seu real valor, as oscilações são mínimas, o que oferece uma grande vantagem para o investidor.

Para se ter uma ideia, a criptomoeda Tether (USDT), uma das principais stablecoins do mercado, está atrelada ao dólar americano. Dessa forma, 1 USDT sempre terá o mesmo valor de US$ 1. Isso fez com que o criptoativo fosse informalmente considerado como uma espécie de “dólar digital”, ainda que não tenha vínculos com o banco central dos EUA.

Popularização das stablecoins

Com uma popularização rápida e significativa, inúmeros governos ao redor do mundo passaram a prestar atenção às stablecoins. Assim, foi iniciado um movimento de criação dos Central Bank Digital Currencies (CBDCs), ou as Moedas Digitais de Bancos Centrais, que são stablecoins emitidas pelos bancos centrais.

Assim, vale ressaltar que todos os CBDCs são stablecoins, uma vez que estão atrelados a ativos reais; no entanto, não são todas as stablecoins que são CBDCs, já que muitas delas não são criadas nem emitidas por bancos centrais.

É importante lembrar que entre as dez maiores stablecoins em circulação, nove são lastreadas em dólar. Contudo, também existem moedas lastreadas em outros ativos, como commodities, ouro, outras moedas, entre outros. Na Venezuela, por exemplo, foi anunciada em 2019 a criação de uma stablecoin lastreada nas reservas de petróleo.

Um ponto importante sobre as stablecoins é que, para que possam cumprir seu papel e não desaparecer, a entidade ou empresa controladora possua um lastro equivalente ao total de moedas em circulação. Caso contrário, ela correrá um grande risco de insolvência.

Quais são as principais stablecoins do mercado?

Atualmente, existem inúmeras stablecoins em circulação. As mais conhecidas atualmente são o Tether (USDT) e a DAI, atreladas ao dólar americano. Saiba um pouco mais sobre elas:

Tether (USDT)

Segundo o CoinMarketCap, o Tether é a maior stablecoin de toda a indústria dos ativos digitais. Sua capitalização de mercado é maior do que a maioria das demais criptomoedas. 

O principal objetivo deste criptoativo é funcionar como uma ponte entre o mercado de criptos e o setor financeiro tradicional. Assim, ele é utilizado para facilitar as transações entre grandes empresas e ainda torna mais simples a compra do dólar pelos varejistas.

Tudo sobre LCI e LCA

O Tether oferece grandes vantagens para quem deseja investir em dólar, uma vez que é muito mais fácil fazer a compra e a conversão para o real, sem precisar lidar com as taxas e a demora para comprar a moeda fiat.

Ele também é um grande facilitador da transação internacional de valores, já que elas podem ser feitas com mais velocidade, menores taxas e menos complicações do que através do sistema tradicional.

Para adquirir o Tether, normalmente são utilizadas as exchanges ou ainda o mercado P2P, de pessoa para pessoa.

DAI

A DAI é uma criptomoeda descentralizada, e se refere ao código de negociação da moeda digital MakerDAO. Foi criada para que o preço de negociação seja sempre mantido em 1 dólar. Assim, a DAI tem o objetivo de fazer com que seu preço não passe por grandes oscilações,estando sempre próximo a esse valor.

Liada à plataforma Maker, a DAI apresenta o Protocolo Maker, tendo como base a tecnologia blockchain da plataforma Ethereum. Considerada de segunda geração, a criptomoeda MakerDAO funciona por meio dos contratos inteligentes usados na intermediação das negociações.

A DAI pode ser utilizada em inúmeras situações: em transferências P2P, substituindo remessas de câmbios e em pagamentos digitais. Diferente de outras criptomoedas, a DAI não passa pelo processo de mineração.

Apesar disso, pode acontecer o chamado liquidity mining, situação na qual os operadores aumentam a liquidez de mercado e recebem unidades de MakerDAO como recompensa. Assim, a criação da DAI depende de dois principais fatores: a garantia do usuário de que ela será usada e o Maker Vault.

Para criar esta stablecoin, o usuário deve ter uma das seguintes moedas aceitas como garantia no protocolo maker: Ether, USDC ou KNC. Em seguida, ele deverá fazer a interação com as Maker Vaults através dos DApps.

Além do Tether e da DAI, também temos muitas outras stablecoins atreladas ao dólar, como por exemplo:

Gemini Dólar (GUSD)

Criada pela empresa Gemini, dos irmãos Winklevoss, o GUSD tem a mesma proposta do Tether: que cada gemini dólar esteja atrelado a 1 dólar em custódia. No entanto, este ativo conta com uma forma de verificação diferente, além de independência entre emissor e custodiante.

True USD (TUSD)

Este projeto tem o objetivo de transformar os dólares do usuário em uma stablecoin. Assim, para que ocorra a emissão de TUSD, a pessoa pode mandar dólares para uma das instituições cadastradas, onde esses dólares serão colocados em uma conta do tipo Escrow Account; ou seja, o dinheiro ficará bloqueado até a eliminação dos tokens que foram emitidos lastreados por esse dinheiro.

Dessa forma, o serviço pretende que todos possam ter dólares para fazer suas transações no mercado digital.

Paxos (PAX)

A maior novidade trazida pela Paxos é a emissão de tokens feita por uma instituição regulada pelo departamento de finanças de Nova York, nos Estados Unidos.

JPM Coin

Além das listadas acima, uma iniciativa nova no mercado é a JPM Coin, stablecoin privada emitida pela JPMorgan. A JPM Coin é lastreada 1:1 com o dólar americano e será utilizada pelo banco para a realização de transferências entre contas institucionais.

A vantagem seria tornar os processos de transferências internas mais rápidos, transparentes e auditáveis.

Como informamos anteriormente, além das stablecoins atreladas ao dólar, também outras iniciativas de stablecoins ligadas a outros criptos, ouro, prata ou qualquer ativo que funcione como meio de pagamento.

As quatro modalidades de stablecoins

Depois de saber quais são as principais stablecoins do mercado, vale a pena entender como esses ativos funcionam. Este ponto é de suma importância para que o investidor não se exponha a riscos desnecessários ou até mesmo caia em golpes.

Assim, falaremos abaixo sobre os quatro tipos de stablecoins que existem atualmente no mercado:

Stablecoins centralizadas

Conhecidas como IOU (“I owe you”, em inglês), esse tipo de stablecoin pertence a uma espécie de dono, uma companhia que gera os tokens, normalmente representando moedas como o euro ou o dólar.

Dessa forma, os criadores da stablecoin controlam a sua emissão, o que dificulta saber se a companhia possui, de fato, reservas equivalentes entre a stablecoin e o ativo que representa. Assim, resta ao usuário confiar na emissora.

O Tether (USDT) é a principal stablecoin deste modelo.

Stablecoins cripto-colaterizada

Diferente das IOUs, as stablecoins cripto-colaterizada utiliza um lastro/colateral descentralizado, o que evita o problema de se ter que confiar na entidade emissora.

Essas stablecoins são lastreadas em moedas digitais descentralizadas, como o Ether (ETH), por exemplo. No entanto, como estão atreladas a ativos de grande volatilidade, elas podem não ser tão estáveis como as outras, sofrendo variações de preço eventuais.

A principal stablecoins deste modelo é a DAI.

Stablecoins commodity-colaterizada

Estas stablecoins são lastreadas por ativos como obras de arte, imóveis, metais preciosos e afins. Seu valor está atrelado ao preço dos ativos aos quais representam.

Assim, como esses ativos podem variar de preço, essa oscilação também se refletirá na stablecoin, com resultados que podem ser vantajosos para o investidor ou não. Por isso, esse tipo de stablecoin é adquirida como um investimento, não como proteção.

Stablecoins não-colaterizadas

As stablecoins não-colaterizadas não possuem lastros. Assim, o que irá manter o seu preço estável são os algoritmos que controlam a quantidade de ativos em circulação, através de operações de queima ou emissão de tokens, de acordo com a necessidade, para que o preço se mantenha estável.

A grande vantagem das stablecoins é a tentativa de oferecer segurança digital e privacidade nos pagamentos digitais das criptomoedas em transações processadas de maneira ágil e com menos volatilidade e instabilidade que as moedas tradicionais.

Quais são os benefícios das stablecoins?

Além da estabilidade, as stablecoins são eficientes como meio de pagamento digital. Assim como outras moedas digitais, elas podem ser utilizadas para realizar pagamentos e transferências de dinheiro para o mundo todo.

Por possuírem um design de código aberto, diferente dos sistemas fechados das operações dos bancos tradicionais, as stablecoins também podem ser integradas a aplicativos digitais compatíveis com outros tipos de sistemas.

Confira alguns dos principais benefícios das stablecoins:

  • Estão protegidas por segurança criptográfica;
  • Estão atreladas a praticamente qualquer ativo do mundo real;
  • Podem ser usadas em transações globais, como as moedas fiduciárias;
  • Suas taxas de transação são bem baixas;
  • Permite que as transferências sejam feitas rapidamente;
  • São ótimas opções para pagamentos transnacionais de empresas e bancos centrais;
  • Podem ser enviadas e recebidas em qualquer lugar, a qualquer momento e por qualquer pessoa.

Vale a pena investir em stablecoins?

Atualmente, não existe uma resposta simples para esta pergunta. Isso porque, hoje, as stablecoins são consideradas como uma iniciativa experimental no mercado dos criptos, e é necessário ter cautela antes de se fazer grandes investimentos em um ambiente instável como ainda é o universo das criptomoedas.

Um ponto a favor das stablecoins é que, diferente das moedas tradicionais, elas exigem um lastro. Isso ajuda a conferir maior confiança e credibilidade aos ativos. Outro ponto positivo, comentado anteriormente, é que a baixa volatilidade das stablecoins facilita as suas chances de uso por usuários comuns no dia a dia.

Embora a estabilidade seja um atrativo significativo, assim como os grandes retornos financeiros que podem acontecer eventualmente, ainda há grandes riscos envolvendo esta nova tecnologia. Assim, é necessário que o investidor avalie os pontos positivos e negativos antes de se aventurar pelas transações com stablecoins.

Conclusão

Embora ainda relativamente novas no mercado, as stablecoins prometem ser cruciais para dinamizar o universo das criptomoedas, representando uma forma simples e prática para que mais pessoas se sintam seguras para investir no mercado de criptos.

Com uma proposta de estabilidade, fica mais fácil para que os usuários se familiarizem com as transações feitas com criptoativos, o que funcionaria como uma forma de “iniciação” aos interessados em investir em bitcoins e altcoins mas ainda não se sentem seguros em enfrentar os altos riscos.

O que parece ser uma realidade é que as stablecoins vieram para ficar. Por isso, o investidor que pretende atuar no mercado de criptos deve estudar profundamente as opções de stablecoins disponíveis e como elas funcionam antes de se aventurar neste universo.

Além disso, antes de decidir se este tipo de investimento é para você, é importante também avaliar se o seu perfil é adequado a ele. E para ajudar em seus estudos, preparamos um guia de como investir em bitcoin e outras criptomoedas, que irá tirar todas as suas principais dúvidas e te ajudar a fazer uma escolha segura. Não deixe de conferir!

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