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Derivativos Agrícolas e Mercado Futuro

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 25/03/2022 às 9h17

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Derivativos Agrícolas e Mercado Futuro

Você sabe o que são derivativos agrícolas? Esses instrumentos financeiros fazem parte do Mercado Futuro e podem ser excelentes opções para sua carteira de investimentos!

Você produz café? Tem boi na engorda? Entende o mercado de milho? Ou apenas quer especular com derivativos agrícolas e alavancar seu patrimônio.

Derivativos agrícolas? Mas o que exatamente é isso?

Se você não sabe do que se trata, então esse texto é para você. Nele você verá:

  • O que são os derivativos agrícolas;
  • Tipos e características dos contratos;
  • Exemplo de aplicação: hedge;
  • Importância do especulador e do arbitrador.

O que são os derivativos agrícolas

Os derivativos podem servir tanto para proteger e ajudar o produtor, ou somente turbinar e rentabilizar suas operações no mercado financeiro.

Derivativos agrícolas são instrumentos financeiros que derivam do preço de outro ativo, conhecido como ativo subjacente ou ativo objeto. 

Portanto, um derivativo agrícola é um contrato que determina pagamentos a serem realizados em data futura, tendo suas flutuações baseadas em seu ativo objeto.

Os derivativos agrícolas são negociados na BMF (Bolsa de Mercadorias e Futuros), atualmente chamada de B3.

Tipos e características dos contratos

Os contratos agrícolas disponíveis para negociação na B3 atualmente são os seguintes:

  • Açúcar cristal
  • Boi Gordo
  • Café Arábica 4/5
  • Café Arábica 6/7
  • Milho
  • Soja

Além das commodities: Etanol Anidro, Etano Hidratado, Petróleo e Ouro.

Cada contrato tem sua própria especificação, tamanho, variação, data de vencimento entre outros.

O contrato de açúcar cristal equivale a 508 sacas de 50 kg líquidos (ou 25,4 toneladas métricas), é cotado em reais, tem variação mínima de R$ 0,01, vencimento no dia 15 dos meses de fevereiro, abril, junho, setembro e dezembro. Seu ativo objeto é o açúcar cristal especial, com mínimo de 99,7o de polarização, máximo de 0,08% de umidade, máximo de 150 de cor ICUMSA, máximo de 0,07% de cinzas e sua liquidação é financeira.

O contrato de boi gordo equivale a 330 arrobas líquidas, é cotado em reais, tem variação mínima de R$ 0,05, vencimento no último dia de negociação de cada mês e contrato com vencimento em todos os meses. Seu ativo objeto são bovinos machos, com 16 arrobas líquidas ou mais de carcaça e idade máxima de 42 meses, e sua liquidação é financeira.

O contrato de café arábica tipo 4/5 equivale a 100 sacas de 60 kg líquidos (ou 6 toneladas métricas), é cotado em dólares americanos por saca, tem variação mínima de U$ 0,05, vencimento no 6o dia útil anterior ao último dia útil do vencimento e opera nos meses de março, maio, julho, setembro e dezembro. Seu ativo objeto é o Café cru, em grão, de produção brasileira, tipo 4-25 (4/5) ou melhor, bebida dura ou melhor, para entrega no Município de São Paulo, SP, Brasil, e sua liquidação pode ser tanto financeira como entrega física nos armazéns cadastrados junto a B3 no município de São Paulo.

O contrato de café arábica tipo 6/7 equivale a 100 sacas de 60 kg líquidos (ou 6 toneladas métricas), é cotado em dólares americanos por saca, tem variação mínima de U$ 0,05, vencimento no 6o dia útil anterior ao último dia útil do mês de vencimento e opera nos meses de março, maio, julho, setembro e dezembro. Seu ativo objeto é o Café cru, em grão, de produção brasileira, tipo 6-25 (6/7) ou melhor, bebida dura ou melhor, para entrega no Município de São Paulo, SP, Brasil, e sua liquidação pode ser tanto financeira como entrega física nos armazéns cadastrados junto a B3 no município de São Paulo.

O contrato de milho equivale a 450 sacas de 60 kg líquidos (ou 27 toneladas métricas), é cotado em reais por saca, tem variação mínima de R$0,01, vencimento no dia 15 dos meses de janeiro, março, maio, julho, setembro e novembro e seu ativo objeto é milho em grão a granel, com odor e aspectos normais, duro ou semiduro e amarelo e sua liquidação é financeira.

O contrato de soja equivale a 450 sacas de 60 kg líquidos (ou 27 toneladas métricas), é cotado em dólares americanos por saca, tem variação mínima de U$ 0,01, vencimento no 2o dia útil anterior ao mês de vencimento e opera nos meses de março, abril, junho, julho, agosto, setembro e novembro. Seu ativo objeto é soja em grão a granel tipo exportação, com os seguintes limites máximos: 14% de umidade; 1% de matérias estranhas e impurezas; 30% de quebrados; 8% de esverdeados; 8% de avariados, dos quais se permite até 6% de grãos mofados, até 4% de grãos ardidos e queimados, sendo que esse último não pode ultrapassar 1%; e 18,5% de conteúdo de óleo. Sua liquidação é financeira.

Exemplo de aplicação: hedge

Agora que conhecemos os tipos de contrato negociados no Brasil, vamos fazer uma simulação para facilitar o entendimento de como o produtor pode utilizar esses derivativos para se proteger, ou em inglês, fazer um hedge.

A ideia por trás do hedge, vem da proteção contra uma variação de preços e a posição que o produtor assume no mercado de derivativos é oposta à posição que ele possui no mercado à vista.

Vamos supor que você é um produtor de milho, plantou seu milho no começo de abril e pretende colher seu milho na metade de setembro. Agora vamos supor que já incluindo todos os custos da produção e somando ao lucro que você pretende ter com a safra o preço ideal para você vender esse milho seja de R$ 40,00. Então se tudo ocorrer conforme o esperado, na metade de setembro você irá colher 90.000 sacas de milho. Agora você tem medo que o preço caia em setembro e você não consiga vender pelos R$ 40,00. Você então vai na B3 e vende 200 contratos de milho futuro, vencimento setembro, por R$ 40,00 e assim já garante seu preço para a data da colheita.

O tempo passa, sua colheita é um sucesso e agora podemos ter três cenários possíveis:

Cenário 01 – o preço do milho ficou estável em R$ 40,00, você vende sua colheita pelo preço que queria no mercado a vista, seu contrato futuro expira e você teve o lucro planejado somente com a safra, que totaliza 3.6 milhões.

Cenário 02 – O preço do milho sobe para R$ 50,00. Nesse caso você vende sua colheita por R$ 50,00, totalizando 4.5 milhões. Porém no contrato futuro que você está vendido na B3, você teve prejuízo de 900 mil (200 cts x 10,00 x 450) que é descontado do preço da sua colheita e seu resultado foram os mesmos 3.6 milhões planejados inicialmente.

Cenário 03 – O preço do milho cai para R$ 30,00. Nesse caso você vende sua colheita por R$ 30,00, totalizando 2.7 milhões. Porém no contrato futuro que você está vendido na B3, você teve um lucro de 900 mil (200 cts x 10,00 x 450) que é adicionado ao valor da sua colheita e seu resultado serão os mesmos 3.6 milhões que você inicialmente planejou.

Agora vamos supor que você é um processador de milho da indústria de aves e sabe que em setembro você precisará comprar uma grande quantidade de milho. Porém como você está preocupado com as secas na região do Mato Grosso você acredita que o preço da saca do milho pode subir muito até setembro. Nesse caso, o que você faz?

O caminho inverso do produtor, isso é, você vai na B3 e compra contratos futuros de milho com vencimento setembro e assim não corre mais risco de variação do preço. Você “garante” seu preço para setembro. Assim, se o preço do milho ficar estável seu contrato vence e você paga o preço que tinha planejado no mercado a vista. Se o preço cair você compra o milho no mercado a vista mais barato, porém perde a diferença no contrato futuro. Se o preço subir você pagará mais caro no mercado a vista, mas ganhará a diferença no mercado futuro e seu resultado será o pretendido inicialmente.

Esses dois exemplos servem para nos mostrar que os derivativos agrícolas podem servir como proteção, hedge, independentemente do lado que você está, produtor ou processador, comprado ou vendido. O importante é que sua posição no mercado futuro seja oposta à sua posição no mercado à vista.

Importância do especulador e do arbitrador

A figura do especulador é diametralmente oposta ao do hedger, pois ele não tem interesse nenhum em comprar ou vender milho ao final do prazo do contrato, isso é, ele não tem nenhuma correspondência de sua posição no mercado a vista ao que ele está fazendo no mercado futuro. Seu objetivo é operar uma tendência de preço, flutuação do mercado, comprando quando ele acha que o preço vai subir e vendendo quando ele acha que o preço vai cair.

Sua presença, porém, é fundamental no mercado, pois é o especulador da dá liquidez aos negócios. Provavelmente será o especulador que irá comprar o contrato que o produtor quer vender, assim como também será o especulador que provavelmente irá vender o contrato que o processador quer comprar. O especulador além de ter como objetivo ganhar com a variação dos preços é ele que faz a contraparte na maioria das negociações.

Outra figura importante no mercado de derivativos agrícolas é a do arbitrador.

O arbitrador negocia a diferença de preço entre dois ativos relacionados, isto é, o arbitrador busca identificar no mercado eventuais ineficiências momentâneas de preço que possibilitem a ele obter lucros correndo poucos riscos.

Então vamos supor que o contrato de soja na B3 tenha uma diferença histórica de R$ 1,00 entre o contrato de junho e o contrato de setembro, porém o arbitrador percebe que hoje essa diferença está em R$ 0,25. O que ele faz então? Ele compra um contrato (o mais curto, por exemplo) e vende o outro contrato, com o objetivo que essa diferença volte para o R$ 1,00, que é a diferença histórica.

Essa arbitragem que ele opera pode ser tanto para vencimentos diferentes de um mesmo contrato, ou até mesmo para o mesmo contrato em diferentes bolsas de negociação. Então se ele percebe que o contrato setembro está com um preço diferente na B3 do que na Bolsa de mercadorias de Chicago, ele pode muito bem comprar o contrato mais barato e vender o contrato mais caro até os preços se igualarem e ele ganhar somente com essa diferença.

O papel do arbitrador é muito importante no mercado, pois quanto mais intensa for sua atuação, mais eficiente será o mercado e mais difícil será o aparecimento dessas janelas de arbitragem.

Conclusão

Conhecer o mercado e suas inúmeras possibilidades é fundamental para você desenvolver suas habilidades, identificar suas necessidades e se conhecer melhor.

Hedger, especulador, arbitrador, em qual papel nesse mercado de derivativos agrícolas você melhor se encaixa?

Independente da resposta, se você já investe ou está pensando em investir, não deixe de conhecer a Akeloo. 

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