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O que é e como calcular o custo de oportunidade. Confira exemplos

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 4/07/2022 às 8h36

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O que é e como calcular o custo de oportunidade. Confira exemplos

Levantar com o despertador ou dormir mais 15 minutinhos? Suco ou iogurte no café da manhã? Ir de carro ou a pé para o trabalho? Como você pode ver, nossa rotina está repleta de situações onde temos que escolher entre uma opção e outra — e, por definição, uma escolha sempre implica na renúncia da alternativa que você deixou de lado. É por isso que, seja em nosso dia a dia, seja no mundo dos investimentos, existe o que chamamos de custo de oportunidade.

Apesar do nome que o custo de oportunidade leva, o leitor pode ficar tranquilo: ele não representa, na prática, um custo. Isso porque não se trata de um custo contábil — uma taxa, multa ou juro, por exemplo — que vai te causar uma despesa financeira.

Com outras palavras, podemos dizer que este custo é uma “perda invisível” — muito mais relacionada com os ganhos hipotéticos que você teria caso tivesse seguido por outros caminhos em suas decisões.

Conforme vamos descobrir no decorrer deste texto, o custo de oportunidade pode ser aplicado em todas as demais esferas de nossas vidas.

Afinal de contas, das escolhas mais banais — como levar o cachorro para passear e perder o seu telejornal preferido — às decisões mais complexas — como financiar a casa dos sonhos ao invés de quitar o imóvel à vista —, todas geram o seu próprio custo de oportunidade no fim das contas. Vale para qualquer bem finito — seja o tempo, seja o dinheiro.

E para te mostrar como o conceito de custo de oportunidade pode te direcionar para as melhores decisões — tanto em sua vida pessoal, quanto em sua vida profissional —, a Equipe Akeloo preparou mais um artigo que vai:

  • Definir, com todos os detalhes, “custo de oportunidade”;
  • Mostrar quais são os quatro tipos de custo de oportunidade que você pode encontrar;
  • Expor métodos que você pode utilizar para calcular um custo de oportunidade e, dessa forma, optar por um investimento em detrimento de outro com mais segurança.

Definindo “custo de oportunidade”

Sem muita enrolação, “custo de oportunidade” pode ser conceitualizado como o valor do qual você abre mão ao tomar uma decisão. 

Por exemplo: se você tem R$ 100 e escolhe investir em um lote de ações da EMPRESA A, por outro lado, você deixa de aplicar na EMPRESA B. O retorno em lucros que você teria caso tivesse investido seu dinheiro na segunda empresa, com efeito, representa o seu custo de oportunidade.

Em economia, o conflito de escolha é conhecido como trade-off — retrato de uma situação onde, para escolher algo, você necessariamente terá que perder uma outra coisa. 

Isso se dá em função da escassez — que, na teoria econômica, diz que bens e recursos finitos não existem em quantidade para atender a demanda de todos. Por esta razão, para que haja custo de oportunidade, você precisa estar diante de um tipo de recurso limitado.

Se não existem opções a serem priorizadas ou malefícios e benefícios envolvidos, podemos afirmar que o custo de oportunidade está zerado.

Custo de oportunidade na prática

Suponhamos que você tenha uma reserva de R$ 40.000 que você mantém na poupança há anos — com retorno de 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial). Nesta aplicação de renda fixa, você recebe por volta de R$ 200 todo mês

Os anos se passam e, em determinado momento, você começa a planejar uma reforma estrutural em seu apartamento. Imaginando meios para fazer o seu dinheiro render mais — e mais rápido —, você volta os seus olhos para o mercado de ações, se interessando pelos papéis de uma empresa em específico. Para nosso exemplo, vamos usar a Tenaris Confab.

E aqui surge o dilema: preservar seu dinheiro na poupança ou transferí-lo para a Bolsa de Valores? Pensando pelos dois lados, você projeta:

  • Na poupança, você conta com a certeza de que nunca irá sair no prejuízo. Por outro lado, o seu dinheiro rende a passos lentos;
  • Ao investir nas ações CNFB4, você pode ver ganhos muito mais expressivos — contudo, também expõe sua reserva às flutuações do mercado, arriscando perder dinheiro.

Qual seria a sua decisão?

A opção da qual você abriu mão — e seus desdobramentos — resultam diretamente no custo de oportunidade. Se, a título de exemplo, você optou por manter sua reserva na poupança e então viu as ações CNFB4 subindo seu valor em 25% no mês, o custo de oportunidade contemplaria os R$ 10.000 que você deixou de ganhar ao deixar o seu dinheiro na poupança.

Em diversos cenários, as decisões são complicadas de serem tomadas — dado que podem estar rodeadas de altos riscos e muito planejamento. Por isso, você sempre deve realizar escolhas que vão de encontro com o melhor benefício ou com o menor custo associado.

Tipos de custo de oportunidade

De modo geral, os custos de oportunidade podem ser subdivididos em quatro grupos — a depender de suas características fundamentais. Conheça cada um deles abaixo.

Custo de oportunidade escondido

Nesta categoria, o custo de oportunidade está camuflado — ou seja, você não consegue mensurar com precisão o quanto deixou de ganhar na alternativa da qual abriu mão em detrimento de outra.

Neste caso, o cálculo do custo de oportunidade se torna mais complexo — em especial, para valores que já estão embutidos em operações financeiras específicas. Assim, eles acabam sendo adicionados de maneira automática no investimento em questão.

Custo de oportunidade aberto

Inversamente ao escondido, o custo de oportunidade aberto não é calcado na ideia de camuflagem — isto é, aqui não existem máscaras contábeis, tornando as operações mais simples e transparentes.

Custo de oportunidade ambiental

O custo de oportunidade ambiental é empregado no mercado da exploração de recursos naturais — onde os cálculos são feitos buscando encontrar o valor máximo que pode ser conquistado através do aproveitamento de um recurso.

Ao utilizar o petróleo — um recurso não-renovável — para a fabricação de garrafas pets, por exemplo, o produtor impossibilita todas as suas demais aplicações — como para a produção de combustível ou querosene.

Assim sendo, o uso de um recurso natural por uma indústria pode acabar por inviabilizar a sua utilidade em todas as outras áreas.

Custo de oportunidade contábil

Este custo de oportunidade consiste no quanto uma pessoa física ou jurídica teve seus ganhos mitigados por ter investido dinheiro em determinada aplicação em vez de outra — e é com ele que vamos trabalhar a partir de agora.

Afinal, neste momento o leitor pode estar se perguntando: “E como eu faço para calcular o custo de oportunidade dos meus investimentos?”. Se essa é a sua dúvida, não se preocupe. 

No tópico abaixo vamos indicar o que você deve levar em consideração para calcular um custo de oportunidade contábil — além de apresentar uma fórmula que você pode colocar em prática na hora da somatória. 

Calculando o custo de oportunidade

Nos investimentos

Quando tratamos de renda fixa, existem índices financeiros nos quais o investidor pode se apoiar para criar uma base de cálculo consistente de um custo de oportunidade. Os mais relevantes são a Taxa Selic — a taxa básica de juros nacional — e a Taxa CDI — indexador econômico conectado com as oscilações da Selic.

Você pode acessar tanto o valor atual da Taxa Selic — que orienta os rendimentos de todos os títulos de renda fixa — quanto a correção de valores pelo CDI através do site oficial do Banco Central.

Para computar o CDI, você só precisa inserir a data inicial e a data final do seu investimento na calculadora do BC — além do valor a ser revisto e a porcentagem em relação ao indexador.

Desta forma, você terá um panorama mais amplo para definir se o investimento que você pretende realizar é ou não rentável.

Uma dica de nossa equipe: para simular seus ganhos em qualquer investimento de renda fixa — como Tesouro Direto, CDBs e Letras de Crédito —, você pode utilizar a Calculadora do Cidadão, também disponível na página do Banco Central.

Na renda variável, por sua vez, a projeção de lucros é muito mais incerta. Lembre-se de que estes ativos, como ações e criptomoedas, não possuem quaisquer garantias.

Para além dos investimentos

Indo além do universo dos investimentos — onde os retornos tendem a ser menos voláteis — uma fórmula matemática que você pode adotar para mensurar um custo de oportunidade é:

Custo de oportunidade de A = Benefício de B + [ Custo real A – Custo real B]

Por exemplo…

Imagine que você tenha ganhado uma caixa com 30 pacotes de massa pronta para bolo de limão de um familiar que atua no ramo da confeitaria. E então você contempla duas alternativas:

OPÇÃO A: Revender as massas para bolo por R$ 3,99/cada

LUCRO ESTIMADO: R$ 120

CUSTO LOGÍSTICO ESTIMADO: R$ 20

OPÇÃO B: Usar as massas para fazer bolos de limão decorados para a venda por R$ 40/cada

LUCRO ESTIMADO: R$ 1.200

CUSTO COM INGREDIENTES ESTIMADO: R$ 700

CUSTO LOGÍSTICO ESTIMADO: R$ 200

E, aplicando a fórmula…

CUSTO DE OPORTUNIDADE DE A: 1200 + [ 20 – (700+200) ] = 1200 – 880 =  320

CUSTO DE OPORTUNIDADE DE B: 120 + [ (700+200) – 20 ] = 1000

Sem considerar a variável do tempo despendido para elaborar os bolos, os cálculos indicam que o custo de oportunidade é maior se você revender as massas para bolo — ou seja, se deixar de fazer os bolos de limão decorados para venda.

Conclusão

Apontar o custo de oportunidade mais interessante sempre vai variar de investidor para investidor — por mais que existam cálculos nos quais possamos nos apoiar, cada indivíduo entende o que é melhor para seu contexto. Ainda assim, temos à disposição estratégias a serem adotadas para que você tome suas decisões com mais segurança e se afaste de riscos mais perigosos.

Mensurar um custo de oportunidade é uma chance única do investidor parar e refletir acerca de qual caminho irá percorrer. Os retornos sobre investimentos, como você já bem sabe, só podem ser auferidos quando você investe fundamentado em análises de mercado claras e eficientes.

Mas por onde começar? Um excelente primeiro passo é o Guia Geral sobre a Análise Fundamentalista da Akeloo. Em nosso eBook, você vai conferir tudo o que deve colocar no papel antes de decidir comprar ou não uma ação de uma empresa ou uma cota em um FII. O conteúdo está liberado para todos — para ser redirecionado para a página de download, é só clicar aqui.

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