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O que é curva de juros e como afeta seus investimentos?

Você conhece a curva de juros? Desdobramento da Taxa Selic […]

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 15/06/2022 às 18h16

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O que é curva de juros e como afeta seus investimentos?

Você conhece a curva de juros? Desdobramento da Taxa Selic — a taxa básica de juros nacional —, a curva de juros nada mais é do que o produto de um exercício de projeção de mercado que os investidores empreendem para entender melhor como os juros devem se comportar em um recorte cronológico em específico — que pode ser de semanas, meses ou até anos.

Uma definição de um parágrafo, entretanto, não é o bastante para que o leitor entenda a curva de juros em toda sua complexidade. 

Assimilar o que é e como você pode utilizar a curva de juros em seu favor é crucial para que o investidor saiba direcionar suas aplicações financeiras para os lugares corretos — em especial, nos momentos de crise no mercado.

Se você acompanha com regularidade o Blog da Akeloo, com toda certeza já sabe que, antes de concretizar qualquer investimento, o investidor deve implementar, com calma, análises de mercado como um meio de se precaver contra riscos desnecessários. E nesse processo, a curva de juros pode ser uma aliada poderosa.

Para darmos início à nossa conversa, comecemos com um exercício de imaginação.

Suponhamos que você tenha um amigo de longa data que queira reformar a casa. E para comprar cimento, blocos de concreto, areia e vergalhões — além de contratar profissionais especializados —, ele te pede um socorro de R$2.500,00. Para tanto, seu amigo jura de pés juntos que o empréstimo será pago em, no máximo, dois meses corridos depois do término da reforma.

Como em um empréstimo sempre paira o perigo da inadimplência — ou do calote, em um português mais claro —, você exige R$100 a mais no ato do pagamento como prêmio pelo risco — ou seja, estabelecendo os juros em 4% do valor original.

Agora imagine que, ao invés de dois meses, seu amigo prometa que o empréstimo será quitado em um prazo de dois anos.

Nesse caso, é natural que você estabeleça juros maiores para fechar negócio, não é mesmo? Afinal de contas, a regra do mercado determina que quanto mais extenso é um prazo de liquidação, mais arriscada uma operação se torna.

Sem saber, você já entendeu o fundamento básico da curva de juros. Saindo do nosso exemplo: quanto maior for o tempo até que os investidores recebam retorno sobre seus investimentos — sobretudo, de títulos emitidos pelo Governo —, maior será o spread demandado. 

A curva de juros é a representação gráfica da perspectiva dos juros que serão sobrepostos no mercado nacional a depender da data de vencimento de um ativo. 

curva de juros

No eixo horizontal do gráfico, está o prazo de liquidação. No eixo vertical, por sua vez, aparece a porcentagem de juros cobrados em cima da operação.

Agora que você conhece os conceitos centrais da curva de juros, chegou a hora de, em mais um artigo preparado pela nossa equipe, também descobrir:

  • Como uma curva de juros se comporta em suas diversas variáveis;
  • Como o investidor pode fazer para monitorar a curva de juros regularmente;
  • Como fazer uma leitura racional dos gráficos para aplicar o seu dinheiro com mais consciência — tanto na renda fixa quanto no mercado de ações.

Curva de juros: como funciona?

Uma curva de juros saudável se apresenta como em nosso exercício imaginativo: com as taxas maiores coincidindo com os prazos mais longos — se materializando, desta forma, como um gráfico em linha crescente.

Em outras palavras, os juros mais baixos devem estar na extremidade esquerda do gráfico, enquanto as alíquotas mais expressivas, na outra ponta.

Mas e quando a curva de juros se transforma em uma linha reta?

Em um primeiro momento, pode soar estranho que o mercado coloque os juros mais altos no curto prazo. Contudo, imagine que o país está atravessando um momento de profunda instabilidade política e econômica. Neste cenário, os investidores vão tentar proteger o seu patrimônio da turbulência atual.

Já no longo prazo, os juros implementados podem ser menores — com a expectativa dos agentes financeiros de que a situação se normalize e o risco de perdas seja mais baixo no futuro.

Aqui a curva de juros não só se nivelou, como se inverteu.

Nessa altura do texto, você pode se perguntar: por que os investidores não se voltam para a Taxa Selic de uma vez ao invés de perder o seu tempo com a curva de juros? Uma vez que, diferente da curva de juros, a Selic tem peso de política pública.

E aqui uma diferença é fundamental: a Taxa Selic é ajustada pelo Banco Central — isto é, por um órgão governamental que fixa a política de juros em todo o país. A curva de juros, por outro lado, é estabelecida segundo o fluxo de flutuações do próprio mercado financeiro.

Onde você pode encontrar a curva de juros?

Diferentemente de outros indicadores, não existe um site ou portal em específico que você pode acessar para acompanhar, na íntegra, a curva de juros.

Apesar disso, existem soluções para que o investidor consiga verificar a cadência dos juros aplicados sobre os títulos públicos — tidos como referência na tendência da política nacional de juros.

No site da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), você pode realizar uma consulta para monitorar como as taxas dos títulos públicos se desenvolveram em um determinado período — ou seja, com essas métricas em mãos, o investidor pode checar a oscilação dos juros no recorte cronológico de sua preferência e identificar padrões.

Caso você queira, de fato, visualizar a curva de juros ou caso prefira se organizar por planilhas, você pode criar um gráfico de linha no Microsoft Excel ou no Google Planilhas a partir dos dados coletados no portal da ANBIMA. Ainda não sabe como fazer? Clique aqui para conferir o passo a passo!

E onde os seus investimentos entram nessa história?

Que ler uma curva de juros de maneira eficiente te leva no caminho das melhores decisões como investidor você já sabe.

Então agora vamos entender como a projeção de juros futuros impacta nos seus investimentos nas duas frentes: tanto na renda fixa quanto na renda variável. Segue abaixo!

Na renda fixa…

É muito comum que a curva de juros seja relacionada à renda fixa — em particular, aos títulos públicos prefixados.

Nos títulos prefixados o investidor já sabe no ato da compra qual será a porcentagem de juros que serão pagos como adicional no futuro. Como essa taxa não flutua — isto é, não sofre interferência das variações do mercado no intervalo entre compra e pagamento da dívida —, o valor prefixado é decidido tomando como base a curva de juros atual.

É aqui onde pode entrar a estratégia do investidor.

Em um contexto de curva de juros estressada, para exemplificar, pode ser mais vantajoso ao investidor conduzir suas aplicações para os títulos com vencimento no curto prazo — em detrimento de investimentos mais longos.

Afinal de contas, com a curva de juros invertida, não faz sentido esperar mais para receber menos.

Na renda variável…

O mercado acionário também é diretamente influenciado pela curva de juros — embora ela seja comumente associada à renda fixa em um primeiro momento.

Empresas listadas em Bolsa de Valores que dependem de financiamentos de longo prazo em sua esfera de atuação — como construtoras e empreiteiras — podem sofrer com quedas no preço de suas ações em uma realidade de juros futuros em alta, por tabela, perdendo valor de mercado.

Conclusão

Muitos investidores se assustam com o conceito de “curva de juros”  — acreditando se tratar de uma projeção de mercado complicada, embasando investimentos repletos de incertezas e com riscos nas alturas.

No entanto, quando o investidor tem o conhecimento necessário para explorar esse universo, se torna fácil trocar o “Esse investimento é muito arriscado para mim…” pelo “É com esse investimento que eu vou fazer as minhas férias!”. A confiança do investidor vem, em boa parte, de um repertório robusto em mercado financeiro para tomar as melhores decisões.

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