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COPOM: o que é e como ele atua dentro da economia do Brasil

O Comitê de Política Monetária é um órgão extremamente importante para a definição, dentre outras coisas, da taxa Selic. Entenda melhor como ele funciona, qual a sua composição e qual o seu impacto no universo financeiro.

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 22/11/2020 às 9h00

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COPOM: o que é e como ele atua dentro da economia do Brasil

Certamente você já ouviu falar do COPOM, seja em notícias em jornais e na televisão ou em leituras online. Fato é que, pelo menos uma vez ao mês, este é dos temas mais abordados no noticiário econômico brasileiro, afinal, é na reunião do COPOM que são definidos os rumos da Selic, a taxa básica de juros da nossa economia.

As decisões desse Comitê influenciam diretamente toda a economia brasileira e, justamente por isso, influenciam também os seus investimentos, sejam eles em renda fixa ou em renda variável.

Mas você sabe exatamente o que é COPOM e qual é a sua importância para a economia do nosso país? Se a resposta é não, então não deixe de continuar lendo o nosso artigo. Nele você vai aprender:

  • o que é o COPOM e como ele foi criado;
  • quem faz parte dele;
  • como funciona esse comitê;
  • o que o COPOM analisa;
  • como isso impacta em seus investimentos.

O que é o COPOM?

A sigla COPOM significa Comitê de Política Monetária. Esse órgão foi criado em julho de 1996, vinculado à estrutura do Banco Central do Brasil, a fim de atuar sobre três importantes determinantes para a economia do nosso país:

  • determinação das diretrizes da política monetária brasileira;
  • análise do relatório da inflação;
  • acompanhamento da Taxa Selic e definição de suas metas.

A sua criação se deu em um contexto em que as maiores economias do mundo já haviam debatido e instituído estruturas regulamentares semelhantes, como o americano FOMC (Federal Open Market Committee) e o britânico MPC (Monetary Policy Committee).  O objetivo era tornar o processo de tomada de decisões sobre a política monetária muito mais objetivo e transparente, diferente do que vinha acontecendo antes.

A organização do Comitê 

O COPOM tem como presidente a mesma pessoa que ocupa a cadeira da presidência do Banco Central. Ele é quem detém o voto de qualidade dentro do Comitê. Os demais membros fazem parte das demais estruturas da diretoria colegiada desse banco. São elas:

  • Diretor de Administração – Dirad;
  • Diretor de Política Econômica – Dipec;
  • Diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos – Direx;
  • Diretor de Fiscalização – Difis;
  • Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito Rural – Diorf;
  • Diretor de Política Monetária – Dipom;
  • Diretor de Regulação – Dinor;
  • Diretor de Relacionamento Institucional e Cidadania – Direc

Como ele funciona

As reuniões do COPOM acontecem a cada 45 dias, sendo  então 8 reuniões anuais. O calendário com a data desses encontros é divulgado até o meio do ano anterior, pelo Banco Central. 

Para 2020, por exemplo, o calendário de reuniões foi divulgado em junho de 2019, sendo ele:

  • 4 e 5 de fevereiro;
  • 17 e 18 de março;
  • 5 e 6 de maio;
  • 16 e 17 de junho;
  • 4 e 5 de agosto;
  • 15 e 16 de setembro;
  • 27 e 28 de outubro;
  • 8 e 9 de dezembro.

Esses encontros ocorrem em dois dias, sendo que cada uma dessas sessões possui um tema principal: no primeiro dia são feitas apresentações técnicas de conjuntura econômica e no segundo dia é feita a decisão da meta da Taxa Selic.

Para debater a conjuntura econômica, os chefes de departamento e o gerente-executivo apresentam suas análises na primeira sessão, incluindo variáveis como inflação, atividade econômica, evolução dos agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

Já no segundo momento são apresentadas alternativas para a meta da Selic e recomendações para a política monetária, após análise das projeções atualizadas para a inflação. Dele participam os membros do Comitê e o chefe do Depep, sem direito a voto, e os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, que votam as propostas apresentadas buscando obter um consenso sempre que possível. As decisões são tomadas por meio da maioria simples dos votos. 

O que foi decidido é, então, comunicado publicamente às 18 horas do segundo dia, ao término da reunião. A ata do encontro é pública e é disponibilizada às 8h da terça-feira da semana posterior a cada reunião.

Um relatório trimestral, chamado “Relatório de Inflação”, é publicado ao fim de cada trimestre. Nele há uma avaliação detalhada da conjuntura econômica e financeira do Brasil e projeções para a taxa de inflação, o que ajuda os investidores e a sociedade em geral a entenderem melhor os rumos econômicos que o país está seguindo.  Dica Akeloo: você pode acompanhar os relatórios a fim de se preparar e de compreender melhor as decisões do COPOM.

O impacto das decisões do COPOM na carteira do investidor

Como já dito anteriormente, uma das atribuições do Comitê de Política Monetária é a fixação da taxa Selic. Sendo assim, a cada reunião, o COPOM decide se mantém ou modifica a meta da taxa de juros básica da economia brasileira.

Essa decisão interfere diretamente em todo o mercado de investimentos, bem como no valor da moeda brasileira e no preço das mercadorias, produtos e serviços que são disponibilizados em nosso país.

Para compreender melhor como a taxa básica de juros interfere na economia, basta pensar em duas situações que corriqueiramente acontecem no nosso dia a dia: existem momentos em que o seu dinheiro parece valer menos, pois o preço das coisas está muito elevado. Logo uma mesma quantia não compra a mesma quantidade de itens ou serviços que comprava antes. Por outro lado, em alguns períodos, o valor do real em bens parece ser muito maior, permitindo que sejam adquiridos bens por um montante menor. 

Na primeira situação, pode-se dizer que há uma redução do poder de compra e isso costuma acontecer quando os juros estão elevados. Assim, pessoas tendem geralmente a  comprar menos e o crédito é dificultado e fica mais caro, o que obriga as pessoas a poupar dinheiro e reduz a quantidade de moeda circulando no país, ocasionando um aumento de preço generalizado. Nesses casos, o COPOM pode analisar toda essa conjuntura e julgar necessário determinar a queda na Selic, para tentar controlar o mercado.

Já na segunda situação, o inverso ocorre. Há uma queda expressiva no preço de bens e serviços, aumento do crédito fornecido e aumento da moeda circulante no mercado. Esse cenário pode ser positivo em um primeiro momento, sendo muito útil para aquecer a economia do país. Apesar disso, ele requer atenção para que não haja um descontrole e seja oferecido crédito desenfreado ou que as pessoas comecem a comprar muito mais do que conseguem pagar. Por isso, o COPOM pode entender que esse momento  indica uma necessidade de subida na taxa de juros.

Além de toda essa conjuntura econômica, que tem impacto direto e indireto no comportamento das grandes empresas nacionais e internacionais, os investidores devem ficar de olho nas modificações da taxa Selic, principalmente em investimentos de renda fixa. 

Isso acontece porque grande parte deles tem relação direta com a Selic, já que ela  influencia todas as taxas de juros, como juros de empréstimos, financiamentos e aplicações financeiras. Por exemplo, Tesouro Direto tem o seu rendimento indexado à taxa Selic, enquanto os CDBs rendem de acordo com o CDI, que também sofrem influência da Selic.

Ou seja, a Selic influencia tanto os títulos ligados a ela, quanto outros indicadores e acompanhar o movimento dessa taxa é fundamental para determinar as melhores opções de investimentos da renda fixa. 

Dica Akeloo: a Taxa Selic tem forte influência sobre a migração de investidores entre a renda fixa e a renda variável. Assim, quando ela está em alta, há uma tendência a alocar mais dinheiro na renda fixa, já que há uma maior rentabilidade atrelada à segurança conferida por esse tipo de aplicação. Já com a taxa em queda, a tendência é a popularização da renda variável na expectativa de obter maiores lucros. Em 2020 a Taxa Selic alcançou o seu menor valor histórico, chegando a 2% ao ano. É  sempre importante estar atento às tendências do mercado e, para isso, você pode contar com os conteúdos do blog da Akeloo. Não deixe de acompanhar!

Conclusão

As decisões tomadas nas reuniões do Comitê de Política Monetária são extremamente importantes para a economia, possuindo uma grande contribuição para o seu crescimento, manutenção ou recuo. 

Além disso, seu impacto direto na rentabilidade de vários investimentos faz com que o mercado financeiro fique sempre atento às reuniões, levando muitos especialistas e profissionais do mercado a utilizarem os dados publicados para tentar identificar tendências para o futuro próximo. 

Portanto, se você já é investidor ou se pretende começar a investir, vale a pena ficar de olho nos comunicados e nas análises feitas pelo COPOM. Isso com certeza te ajudará a decidir a direção correta a ser tomada para os seus investimentos.

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