A Bolsa de Valores na crise: como investir?

Crises colocam em cheque tudo que você acha que sabe sobre a Bolsa de Valores. E agora, como investir?

Por Equipe Akeloo

Publicado em: 16/09/2020 às 9h00

A Bolsa de Valores na crise: como investir?

Investir na Bolsa de Valores é um exercício de conhecimento e paciência para quem teme instabilidades – afinal, o mercado financeiro oscila bastante e cada oscilação pode ser responsável por determinar lucros ou prejuízos expressivos na carteira do investidor. O desafio é entender como o mercado se comporta e se antecipar às mudanças. Mas, em situações de crise, nacionais ou globais, essa tarefa fica mais difícil e pode assustar até mesmo os investidores mais experientes. 

A partir de agora, você vai entender com a Akeloo como crises afetam a Bolsa de Valores e como você pode se preparar para elas e minimizar os impactos financeiros que elas causam. Afinal, esse é o segredo de grande parte dos milionários – em momentos de crise, os medrosos se preocupam, enquanto os corajosos se preparam. É possível enxergar nas crises financeiras oportunidades únicas e sair melhor, financeiramente e pessoalmente. 

Nesse artigo, você vai aprender: 

  • o que são crises financeiras
  • qual a diferença de crise financeira e crise econômica
  • como funciona uma crise econômica 
  • quais foram as principais crises financeiras e econômicas da história
  • crise de 2020: o que aconteceu?
  • como a Bolsa de Valores se afeta com as crises 
  • como se preparar para crises 
  • como se dar bem em um momento de crise 

O que são crises financeiras? 

Crises financeiras são períodos em que, por diversas situações, instituições ou ativos financeiros se desvalorizaram rapidamente, levando à quebra da confiança nas instituições e à baixa liquidez. Alguns fatores envolvidos em crises financeiras são, por exemplo, estouro de bolha financeira, quebra do mercado, ataques especulativos à moeda de um país ou não pagamento de dívidas. 

Crise financeira e crise econômica é a mesma coisa?

Não! A crise financeira é causada por rápida desvalorização de ativos e instituições financeiras, enquanto a crise econômica é, em geral, um período de escassez de produção, comercialização e consumo de produtos serviços, que envolve várias fases e etapas de flutuação econômica. 

A confusão pode acontecer porque, se não combatida a tempo, a crise financeira leva a um efeito dominó na economia, gerando danos à empresas, elevando o desemprego e reduzindo a atividade econômica. Por esse motivo, ao longo da história, muitas vezes crises financeiras estão atreladas ao desenvolvimento de crises econômicas profundas. A crise financeira, é, de modo geral, um momento de alerta, já que pode, por si só, causar consequências indesejadas à saúde financeira dos investidores. 

Além disso, crises financeiras e econômicas, apesar de poder se restringirem ao local de origem, com frequência se expandem para outros locais, podendo se tornar globais. Isso acontece devido à globalização – é raro que a economia de um país dependa apenas dos insumos produzidos localmente, e exportações e importações são afetadas pelas crises, principalmente pela lei de oferta e demanda. 

Por isso, é também impossível que alguém não vivencie uma crise ao longo da vida. Além da intrínseca relação entre os países, o sistema capitalista é um sistema instável, que produz ou permite o surgimento de crises cíclicas, de acordo com certa regularidade. O que vai variar é a intensidade da crise, as razões do surgimento e os setores afetados. 

A movimentação é tanta que já é possível entender as etapas e fases de uma crise econômica. Continue lendo e saiba mais!  

Como funciona uma crise econômica?

A economia é cíclica, combinando fases de expansão e fases de retração – são os chamados ciclos econômicos.  Em 1939, o economista Joseph Alois Schumpeter mapeou e definiu as fases dos ciclos econômicos, que podem ter durações variadas. São eles: 

  1. boom 

O boom econômico é a fase em que todos anseiam. Nela, há aumento no lucro e nas rodadas de investimentos, além de ser possível perceber progressos econômicos (analisados, principalmente, pelo Produto Interno Bruto (PIB) e pelo PNB (Produto Nacional Bruto). O período de boom, ou crescimento econômico, pode ter duração curta ou longa, mas sempre de maneira cíclica. 

2. recessão

O período de recessão é a fase de contração do ciclo econômico. A produção cai, o desemprego aumenta, o lucro e a renda familiar despencam e há uma queda nos níveis de investimento. Em linhas gerais, só é possível diagnosticar uma recessão após três quedas consecutivas do PIB de um país, mas é possível identificar os sinais da recessão antes que ela se instale. 

3. depressão

A depressão é o período do agravamento da recessão. É caracterizado por numerosas falências, crescimento anormal do desemprego, escassez de crédito, baixo nível de produção e alta volatilidade do câmbio. A depressão é definida quando há redução drástica do PIB ou quando há uma prolongada recessão (de 3 a 4 anos). 

4. recuperação

A recuperação econômica é fácil de entender: acontece quando a economia está se recuperando da crise. Nesse momento, as empresas e a população se tornam mais otimistas e esperançosos, já que o dinheiro volta a circular e a previsão é de retomada dos empregos e aumento do PIB. 

 A crise econômica acontece quando o país está passando por um momento de retração, incluindo cenários de recessão financeira e depressão. E aí, você consegue identificar em que momento o Brasil está? O período de recessão foi declarado no Brasil em março de 2020, mas já era possível diagnosticar e entender a piora da situação econômica do país em semestres anteriores. 

Crises econômicas e financeiras globais 

É bem possível que você já tenha vivenciado alguma crise ao longo da sua vida. As crises financeiras têm acompanhado o homem desde as sociedades antigas. A primeira crise financeira que se tem notícia aconteceu na Roma Antiga, com o imperador Otávio Augusto. Confira as principais crises econômicas (globais e locais) da história: 

  • A grande depressão 

Com certeza você já ouviu falar na crise de 1929, considerada a pior crise capitalista da história. A crise teve início em 1929, com o crash da Bolsa de Valores americana, e só foi superada após a Segunda Guerra Mundial. Em resumo, a crise foi causada pela redução da exportação europeia, e como consequência, uma superprodução nos Estados Unidos. Com muitos produtos e pouca demanda, as empresas tiveram que demitir funcionários em massa, levando à desvalorização das ações na Bolsa. O Crash da Bolsa, conhecido como quinta-feira negra, fez milhares de acionistas perderem grandes somas de dinheiro. 

  • A grande recessão 

Conhecida também como crise de 2008, a grande recessão foi uma crise financeira gerada por um colapso na bolha imobiliária. A crise atingiu inicialmente os Estados Unidos, mas assim como a Grande Depressão, se espalhou globalmente, atingindo a Europa e até países em desenvolvimento como o Brasil, porém em menor intensidade. 

  • A crise do petróleo

A crise do petróleo aconteceu após a Segunda Guerra Mundial, provocada pelo embargo dos países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e Golfo Pérsico de distribuição de petróleo para os EUA e para alguns países da Europa. A alta nos preços do barril de petróleo desestabilizou a economia mundial e provocou recessão nos Estados Unidos e na Europa.

Crises econômicas e financeiras brasileiras 

  • Década perdida 

A década perdida aconteceu nos anos 1980 na maioria dos países da América Latina e no Brasil não seria diferente. Com dívidas externas e déficit fiscal, além de volatilidade inflacionária e cambial, a crise só foi superada no país com a implantação do Plano Real no governo Itamar Franco. 

  • Desvalorização do real 

A crise da desvalorização do real aconteceu em 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o Banco Central passou a adotar o regime de câmbio flutuante. O movimento ocasionou em uma forte queda do real. 

  • Crise político-econômica de 2014

Não é segredo para ninguém que os últimos anos no Brasil têm sido conturbados. A recessão no Brasil começou em 2014, gerando recuo no PIB por dois anos consecutivos e aumento no desemprego, além de intensificação de tensões políticas, que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff e na eleição de Jair Bolsonaro, já em 2018. Após um período de alta do Índice Bovespa na Bolsa de Valores em 2019, aliado à otimismo e esperança dos investidores, o país enfrenta novamente um período de recessão, intensificado pela pandemia do novo coronavírus. 

Alta do dólar e instabilidade da Bolsa de Valores preocupa investidores (dados de 16.06.2020) 

Após a alta do Ibovespa, em 2020 a B3 viu o índice desabar e, em março de 2020, a B3 já havia acionado o circuit breaker seis vezes. Após um período de lenta recuperação, o país chegou a junho de 2020, com o dólar a R$5,16, o Índice Bovespa a 93 mil pontos e uma previsão de contração do PIB em quase 10%. O que os investidores querem saber é: como se proteger da crise? 

ibovespa

Ibovespa em 16.06.2020

Como a Bolsa de Valores é afetada com as crises econômicas e financeiras?

Já deu para perceber que as crises afetam a Bolsa de Valores, não é? O mercado financeiro é, geralmente, afetado de diversas maneiras quando crises surgem, e entender o histórico mundial e brasileiro é uma excelente maneira de se preparar para elas.

Os efeitos, porém, não são apenas negativos. Mesmo na crise do coronavírus de 2020, após a queda estrondosa no Ibovespa, a B3 ganhou 440 mil novos investidores em dois meses e continuou avançando. A resistência pode ser causada pela queda na Selic, que fez o investidor procurar novas maneiras de lucrar, ou também ser sinal de amadurecimento da educação financeira do brasileiro, que têm buscado resultados a longo prazo. 

Ou seja, não é fácil prever o comportamento da Bolsa de Valores na crise. Crises financeiras e econômicas, aliás, são vistas por muitos como oportunidades de ouro – e recomendamos que você as enxergue da mesma maneira. Afinal, em toda crise mora uma oportunidade, os que se destacam são os que descobrem maneiras de atuar nelas, transformando o medo em motivação. Mas, atenção: isso não significa que você deva investir sem conhecimento ou tomar decisões impulsivas. Aproveite o momento para se aprofundar no assunto e se tornar um investidor ainda mais resiliente. Se você está lendo esse artigo, já está no caminho certo – está buscando conhecimento e aprendendo tudo que pode sobre a crise e a Bolsa de Valores. 

Então, como a Bolsa de Valores é afetada pela crise?

O que você pode esperar da Bolsa de Valores na crise? O principal a entender é que crises geram insegurança no mercado, o que, por consequência, gera volatilidade. Índices de referência podem oscilar muito, ações podem se desvalorizar e a situação ficará muito instável. Isso acontece porque há muita especulação sobre o futuro do país e sobre a duração da crise: há aqueles que retiram todo o dinheiro, temerosos, e há também os que compram cada vez mais ativos, na esperança de uma rápida recuperação e lucro rápido. 

Preste atenção: a maior oscilação acontecerá em setores diretamente relacionada aos fatores da crise, como as ações de empresas de turismo na pandemia do coronavírus. Entenda que, assim como em outros setores, a crise traz instabilidade para a Bolsa de Valores. 

Como se preparar para a crise?

Já te ensinamos que as crises, em uma sociedade capitalista, são cíclicas e inevitáveis. Mas é possível prever uma crise e se preparar para ela? 

A verdade é que é difícil prever uma crise financeira ou econômica, porque é raro que elas tenham apenas uma causa, além de serem ocasionadas aos poucos. Mas, é possível utilizar alguns sinais de que ela se aproxima para entender quando a crise na Bolsa de Valores chegará. De acordo com a Teoria Austríaca dos Ciclos Econômicos, é possível identificar alguns sinais. São eles:

  1. Flutuações econômicas

Tente entender sinais de volatilidade econômica  – eles podem ser um indício de crise. 

2. Início de algum ciclo econômico

Busque identificar sinais de encolhimento ou crescimento econômico, como desemprego, PIB, demanda, poder de crédito, entre outros.

3. Políticas econômicas 

Fique atento(a) à medidas tomadas pelo Banco Central, pelo Tesouro Nacional e pelo governo federal. 

Antes de tudo, a dica Akeloo é entender tudo sobre os riscos inerentes aos seus investimentos. Se você já fez isso, provavelmente já tem uma reserva de emergência preparada para crises, além de ter diversificado sua carteira, minimizando os riscos de volatilidade. Esse é o caminho para se prevenir de crises. Sabemos que é difícil, mas a maturidade financeira é um constante exercício e quando mais você estudar, mais fácil ficará. Conte conosco nessa! 

Como investir na Bolsa de Valores em momentos de crise

A crise chegou e você não conseguiu prever. Tudo bem, acontece mesmo com os melhores especialistas. Mas e agora? Como se dar bem? 

Somos enfáticos: se você ainda não investe na Bolsa de Valores, o momento de começar não é durante uma crise global. Se você já investe, não deve ter muito o que se preocupar. O brasileiro costuma ser imediatista, mas grandes investidores da Bolsa de Valores já nos ensinaram que é possível ganhar muito dinheiro a longo prazo. Se você escolheu empresas sólidas, pode ter esperança de que elas se irão se recuperar do baque, mais dia, menos dia, e tudo que você deve fazer é se manter atento. 

Siga as dicas Akeloo para se dar bem durante a crise:

  1. Mantenha um portfólio diversificado
  2. Tenha reserva de emergência
  3. Não concentre todo seu dinheiro em único ativo
  4. Preze pela qualidade dos ativos, e não pelo preço
  5. Mantenha as aplicações alocadas, pois você pode lucrar com a recuperação delas. Olho no longo prazo! 
  6. Se seu perfil de investidor é arrojado, você pode investir em day trade, já que a volatilidade gera oportunidades 

Conclusão

Crises financeiras e econômicas assustam, mas você pode encontrar nelas boas oportunidades de crescimento e ganho de conhecimento. É essencial entender como as crises funcionam e como elas afetam a Bolsa de Valores para se preparar para as crises e investir melhor. Se você acha que esse conteúdo foi útil para você, continue lendo o blog da Akeloo e garanta uma vida financeira mais próspera!